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Ex-ministro | 02/08/2012 10:25

Imagem de José Dirceu entre militantes do PT é positiva

Sua imagem entre os militantes é extremamente positiva, mesmo figurando no topo da lista dos denunciados por corrupção no escândalo do mensalão

Roldão Arruda, do

Elza Fiúza/Agência Brasil

José Dirceu palestrando em Brasília

Dirceu é o mais citado nas 136 páginas do documento: seu nome aparece 81 vezes

São Paulo - Na denúncia do mensalão apresentada em 2006, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apontou os nomes de 40 pessoas envolvidas no suposto esquema de compra de apoio de partidos políticos para formar a base de sustentação do governo federal. O primeiro deles era o do ex-ministro José Dirceu, que, desde então, é o que tem atraído mais atenção - dentro e fora do PT.

Além de figurar no topo da lista dos denunciados, Dirceu é o mais citado nas 136 páginas do documento: seu nome aparece 81 vezes. O procurador o qualifica como "chefe do organograma delituoso" e defende a tese de que, como segundo homem mais importante da República, ele sabia de tudo. Nada teria acontecido sem o seu aval: "Ele tinha o domínio funcional de todos os crimes perpetrados."

E foi assim, como "chefe da quadrilha", que Dirceu passou a ser apresentado no noticiário. Não é assim, porém, que o líder petista é visto no interior de seu partido. Sua imagem entre os militantes é extremamente positiva. Nos encontros partidários, só o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva consegue arrancar mais aplausos do que o ex-ministro. Suas palestras, especialmente as análises de conjuntura, são sempre concorridíssimas.

Dirceu ainda é considerado o estrategista do PT. Há vários fatores que explicam a diferença. O mais evidente é o sentimento petista de que o alvo real das denúncias marteladas há sete anos não é o combate à corrupção, mas o partido. Por esse raciocínio, Dirceu não é quadrilheiro, e sim bode expiatório, mártir.

Reinvenções

Uma outra razão, menos aparente, é a capacidade de José Dirceu para se reinventar. Nascido em 1946, na cidade mineira de Passa Quatro, no meio de uma família que professava abertamente sua fé religiosa, ele desembarca em São Paulo em 1961, com o objetivo de fazer o colegial. Trabalha durante o dia como office boy de uma imobiliária e estuda à noite.

Passados quatro anos, ao ingressar no curso de direito da PUC, ele já está envolvido com o movimento de resistência ao regime militar. O que acontece nos anos seguintes parece a trama de um thriller político-policial: aproxima-se da organização guerrilheira Aliança Libertadora Nacional (ALN), chefiada por Carlos Marighella; torna-se presidente da União Estadual de Estudantes (UEE); é preso e banido do País; procura abrigo em Cuba, onde recebe treinamento militar; ajuda a fundar o Movimento de Libertação Popular (Molipo), e retorna clandestino ao Brasil em 1971 com a tarefa de ajudar na articulação de um movimento de guerrilha rural, nos moldes do que havia levado Fidel Castro ao poder na ilha da América Central.

Em 1972, após fracassos seguidos e o assassinato dos dirigentes do Molipo, ele foge de volta para Cuba. Volta, de novo, em 1974 - com identidade falsa e prótese no nariz - e se esconde em Cruzeiro do Oeste, interior do Paraná. Trabalha como comerciante, casa, tem um filho e permanece clandestino até 1979.

Naquele ano, quando é sancionada a Lei da Anistia, viaja para Cuba, retira a prótese e reassume a verdadeira identidade. Nos anos seguintes, dedica-se às lutas pela redemocratização e à construção do PT.

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