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Roberto Gurgel: Gurgel citou reuniões de Dirceu para afirmar que o ex-ministro atuou na obtenção de empréstimos dos bancos Rural e BMG, que serviram para o mensalão
Brasília - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta sexta-feira que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu era o "líder do grupo" que comandava a compra de votos no Congresso, esquema batizado de mensalão. No segundo dia de julgamento do processo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Gurgel disse que Dirceu estimulou e comandou todo o esquema ilícito com o objetivo de sustentar o projeto do PT de se perpetuar no poder.
"Foi a principal figura de tudo. Foi o mentor de tudo", disse. O chefe do Ministério Público disse ainda que a articulação política faz parte das atribuições da Casa Civil, pasta chefiada por Dirceu desde o início do governo Lula, em 2003. "Essa base de apoio não poderia ser formada mediante o pagamento de vantagens indevidas", ressalvou.
Gurgel apoiou toda a sua acusação contra Dirceu com base em testemunhos. Segundo ele, essa é a única forma para demonstrar o envolvimento de lideranças. "Não há como negar que, em regra, o autor intelectual agiu em quatro paredes", disse. "O autor intelectual quase sempre não fala ao telefone, não envia mensagens telefônicas, não movimenta dinheiro."
O procurador-geral citou depoimentos prestados pelo publicitário Marcos Valério; o presidente do PTB, Roberto Jefferson; o ex-tesoureiro petebista Emerson Palmieri; o ex-presidente do extinto PL Valdemar Costa Neto; e o ex-presidente do PP Pedro Corrêa.
Mesmo ocupando o cargo de ministro da Casa Civil, todos os acordos políticos e acertos financeiros passavam pelo aval de Dirceu. "Nada, absolutamente nada, acontecia sem a prévia autorização de José Dirceu", afirmou Gurgel, que apresenta sua acusação contra os 38 réus no processo do mensalão no STF nesta tarde.
Empréstimos
Gurgel citou reuniões de Dirceu para afirmar que o ex-ministro atuou na obtenção dos empréstimos dos bancos Rural e BMG, que serviram para a operação do mensalão.
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