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A CPI do Cachoeira ouve nesta terça Perillo, cujo nome aparece em várias escutas telefônicas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal
São Paulo - O grupo comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, repassou R$ 600 mil a uma empresa de Jayme Rincón, homem forte do governo goiano e tesoureiro da campanha do governador Marconi Perillo (PSDB) em 2010. Os pagamentos à Rental Frota Distribuição e Logística foram divididos em três parcelas de R$ 200 mil e depositados em 29 de julho, 1.º e 2 de agosto de 2011.
A CPI do Cachoeira ouve nesta terça Perillo, cujo nome aparece em várias escutas telefônicas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que investiga os negócios do contraventor e suas ligações com agentes públicos.
Embora esteja formalmente afastado da empresa desde janeiro de 2011, Rincón detém 33% de suas cotas. Ele diz desconhecer o repasse. Já a Rental os confirma. Sustenta, porém, que os pagamentos se referiam à venda de 28 veículos usados, no valor de R$ 600 mil, ao braço direito de Cachoeira, o ex-vereador tucano Wladimir Garcez. Ela nega que o valor tenha sido repassado diretamente a Rincón.
A Rental declarou ainda que, em função de "normas internas", não pôde fornecer à reportagem cópia do contrato, mas que ele foi "devidamente contabilizado e arquivado na empresa".
O valor e as datas dos depósitos coincidem com um empréstimo que Cachoeira afirmou ter feito a Rincón, hoje presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), em conversa gravada pela PF. Em 1.º de agosto, a PF resumiu um diálogo entre o contraventor e o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu: "Carlinhos diz que emprestou R$ 600 mil para Rincón. Diz que vai pagar 100 por mês". A conversa foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 27 de abril.
Naquele mesmo dia, Rincón emitiu nota na qual negava ter recebido de Garcez ou Cachoeira. "Nunca recebi um centavo do sr. Wladimir Garcez e muito menos do sr. Cachoeira, pessoa que vi apenas duas vezes na vida."
Escutas da Monte Carlo sugerem que a operação foi coordenada por Garcez e Cachoeira e executada por Geovani Pereira da Silva, apontado pela PF como contador do grupo do contraventor.
Em 27 de julho, dois dias antes do primeiro depósito, a PF resumiu um diálogo entre Garcez e Geovani referente a uma conta bancária, o CNPJ da empresa e o valor dos repasses: "BB; AG 3388-X; C/C 6751-2; nome: Rental Frotas Distribuição Logística Ltda. CNPJ 97.45.68110001-90. Valor: 200, 200 e 200, para não dar aquela complicação. Geovani fala que sim, que não tem nota".
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