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Joaquim Barbosa considerou que os empréstimos eram aprovados sem que fossem considerados critérios técnicos
Brasília - O relator do processo do mensalão, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, pediu nesta segunda-feira a condenação dos ex-dirigentes do Banco Rural crime de gestão fraudulenta de instituição financeira.
Primeiro dos 10 membros do STF a pronunciar seu voto, Barbosa considerou os réus, Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Ayanna Tenório e Vinícius Samarane, culpados pelo delito de gestão fraudulenta, por conceder empréstimos milionários e ilegais para beneficiar o Partido dos Trabalhadores (PT) e empresas ligadas ao esquema.
O juiz revisor do processo, Ricardo Lewandowski, votou pela condenação de dois dos ex-diretores do banco, Kátia Rabello e José Roberto Salgado, e depois adiou a decisão sobre os dois réus para a próxima sessão, prevista para acontecer nesta quarta-feira.
Os recursos, que começaram a ser transferidos em maio de 2003, teriam servido para alimentar a rede de pagamento a parlamentares da base aliada do Governo Lula, para que fossem aprovados projetos, vindo à tona em 2005..
Os empréstimos foram concedidos ao PT e as empresas SMP&B e Grafitti, ambas propriedade do publicitário Marcos Valério, apontado como o articulador de todo o esquema.
Joaquim Barbosa considerou que os empréstimos eram aprovados sem que fossem considerados critérios técnicos, nem garantias de pagamento. O magistrado afirmou que dirigentes do Banco Rural criaram uma ''engenharia contábil'' para esconder a origem e o destino do dinheiro.
Lewandowski, por sua vez, afirmou que os dirigentes do Banco Rural mantinham uma ''relação promíscua'' com Marcos Valério, que atuava como ''agente de negócios e relações públicas'' da instituição financeira.
Além disso, apontou indícios de gestão fraudulenta no fato do banco ter pactuado com o PT e as duas empresas a renovação sucessiva dos créditos concedidos, o que contribuiu, inclusive, para deteriorar os balanços da instituição financeira a partir de 2004.
O processo, que conta com 37 acusados, foi dividido em sete capítulos, o primeiro tendo sido encerrado na última quinta-feira, com a condenação do deputado João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e outros quatro réus, entre eles o próprio Marcos Valério
As sentenças de todos os envolvidos serão divulgadas de uma só vez, no fim do julgamento, o que o Supremo prevê para acontecer em meados de setembro.
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