Perdas divulgadas pela Petrobras ajuda leniência, diz CGU

Atualmente, a CGU negocia possibilidade de acordos de leniência com cinco empresas por conta dos desdobramentos da Operação Lava Jato

Brasília – O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Valdir Simão, disse na manhã desta quinta-feira, 23, que a contabilização das perdas com corrupção por parte da Petrobras, estimadas no balanço divulgado ontem em R$ 6,194 bilhões, irá ajudar o órgão em possíveis acordos de leniência.

“Ainda não temos detalhes de como foi contabilizado. Vamos entender e isso vai nos ajudar também nos processos de responsabilização e eventualmente em algum acordo de leniência que porventura possa vir a ser firmado”, disse o ministro, ao deixar abertura do seminário internacional Brasil 100% Digital.

Atualmente, a CGU negocia possibilidade de acordos de leniência com cinco empresas por conta dos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Além disso, o órgão já instaurou 29 processos administrativos de responsabilização contra empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção e cartel envolvendo contratos da Petrobras.

Segundo Simão, a partir de agora, com a contabilização, a Petrobras terá um valor base para a busca do ressarcimento. “A Petrobras é que tem as condições para averiguar e contabilizar o dano causado por cada uma dessas empresas”, completou o ministro.

Ele informou que irá se reunir com integrantes da CPI da Petrobras no final da tarde de hoje, mas ainda não tem detalhes sobre a pauta do encontro, solicitado pelos parlamentares.

SBM

Simão reiterou que a apuração sobre pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore começou em abril do ano passado. No domingo, a CGU refutou em nota atraso na investigação do caso SBM.

“Ainda estamos no processo de responsabilização da SBM. A empresa manifestou interesse em cooperar e eventualmente em firmar um acordo de leniência. Estamos neste momento aguardando os desdobramentos dessa negociação”, destacou o ministro.

Ele voltou a dizer que as provas recolhidas pelo executivo britânico Jonathan Taylor não foram utilizadas pela CGU porque “não houve segurança pela licitude”.

“Para não inviabilizar o processo, a decisão naquele momento da Controladoria, que foi uma decisão acertada, foi de não utilizar qualquer informação prestada pelo senhor Taylor”, reiterou Simão.