Pausa para os jogos de azar

Em meio ao turbilhão que toma conta de Brasília, os senadores podem aprovar nesta quarta-feira um polêmico projeto de lei que legaliza os jogos de azar. Propostas como essa abundam no Congresso desde que os bingos e as máquinas de caça-níqueis foram proibidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2004.

Os defensores alegam que a medida poderia aumentar a arrecadação do país durante a crise financeira. Segundo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), autor do projeto, o incremento poderia chegar a 15 bilhões de reais. O texto autoriza o jogo do bicho, e deixa para os estados a concessão de licenças. Também seriam liberados cassinos, que funcionariam em complexos de lazer.

Do outro lado da discussão, está o Ministério Público Federal que já afirmou que a legalização dos jogos incentivará crimes como a lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação de impostos e a corrupção. O procurador Deltan Dallagnol afirmou que seria quase impossível fiscalizar bingos.

De 1993 a 2003, as leis Zico e Pelé permitiram a instalação de bingos e máquinas caça-níqueis, a pretexto de fomentar a arrecadação tributária para os esportes. Em 2005, a CPI dos Bingos se tornou a “CPI do Fim do Mundo” porque respingaria nos negócios sujos de toda a República. Acabou não investigando nada.

O escândalo surgiu após uma conversa do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Na semana passada, Cachoeira foi preso em uma operação da Polícia Federal sob suspeita de lavar 370 milhões de reais.

Agora, o projeto tem o apoio entusiasmado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), investigado em 11 inquéritos da Lava-Jato. Segundo ele, faz parte da agenda para retomar o crescimento econômico. Só não se sabe ao certo para a economia de quem.