Oposição reage contra urgência para reforma trabalhista

Parlamentares seguravam cartazes com a frase "Cunha de novo não" em referência à prática do ex-presidente da Câmara em refazer votações perdidas

Brasília – Após colocar novamente em votação o pedido de urgência para a reforma trabalhista nesta quarta-feira, 19, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confrontou-se com a oposição no plenário.

Os parlamentares contrários à nova votação fizeram uma questão de ordem, recusada pelo presidente, que também ignorou um recurso apresentado pelos deputados.

Diversos parlamentares da oposição então subiram à mesa de Maia gritando “Golpe, Golpe”, o que deu início a um longo bate-boca, enquanto deputados da base gritavam “Voto, Voto”.

Líderes da oposição inclusive ameaçaram ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a nova votação pela urgência.

Visivelmente exasperado, Maia culpou a própria oposição pela falta de um acordo para que essa votação ocorresse em 3 de maio.

“O PT impediu o acordo. Se o PT não quer votar, não vai ‘esculhambar’ a votação no plenário. Se a base tiver voto, ganha. Se não tiver, perde”, completa.

Deputados da oposição seguravam cartazes com a frase “Cunha de novo não” em referência à prática do ex-presidente da Casa em refazer votações perdidas.

Um requerimento idêntico de urgência para reforma trabalhista foi derrotado ontem no plenário da Câmara, com o apoio de apenas 230 deputados, enquanto 163 votaram contra e apenas um parlamentar se absteve. Sem os 257 votos necessários, o requerimento foi rejeitado.

Maia assumiu a culpa por ter encerrado a sessão com quórum insuficiente para aprovar o pedido.

Em discurso, o líder do PT, Carlos Zarattini (SP), fez ataques ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o acusou de “botar fogo” no País.

O petista estendeu os ataques ao relator da reforma trabalhista, Rogério Marinho (PSDB-RN), e disse que seu parecer “é super-jabuti” plantado pelo relator.

O deputado afirmou que todas as entidades se manifestaram contra o projeto. As críticas também se voltaram contra o Ministério Público Federal.

“Nós nessa Casa não somos o que os procuradores dizem que somos.” Zarattini fez um apelo para que a votação fosse suspensa e que os líderes tomassem uma decisão conjunta. “PT não foge à responsabilidade de discutir cada tema dessa Casa”, afirmou.

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