Operação contra tráfico de pessoas acaba com dois presos

As pessoas detidas no Brasil serão acusadas formalmente pelos delitos de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual e de formação de quadrilha

Rio de Janeiro – Dois acusados de integrar uma rede de tráfico de mulheres brancas para prostituição foram detidos nesta quarta-feira em Salvador, em uma operação conjunta das polícias do Brasil e da Espanha para combater o tráfico internacional de pessoas, informaram fontes oficiais.

As prisões foram realizadas durante a chamada Operação Planeta, uma ação conjunta da Polícia Federal brasileira e o Corpo Nacional da Polícia espanhola para desmontar um grupo que atua em ambos os países e que é acusado de recrutar mulheres no Brasil para obrigá-las a se prostituírem na Espanha.

As operações em Salvador, cidade do nordeste do Brasil, permitiram a detenção de duas pessoas contra as quais tinham sido ditadas ordens de detenção e batidas políciais em três residências usadas pelos integrantes do grupo criminoso.

Um terceira pessoa contra quem foi expedido um mandato de busca não foi localizada, disseram à Agência Efe porta-vozes da Polícia Federal de Salvador.

A operação conjunta também previa igualmente detenções e batidas na Espanha, assim como o fechamento de dois locais nos quais as brasileiras eram obrigadas a se prostituírem, mas a Polícia brasileira ainda desconhece os resultados.

Segundo a Polícia Federal, as mulheres brasileiras eram recrutadas por membros do grupo na cidade de Salvador e recebiam ofertas de trabalho na Espanha, assim como a passagem de avião e os recursos para as primeiras despesas pessoais.


“Ao chegar em território espanhol, eram surpreendidas e expostas a situações degradantes de moradia e trabalho, além de serem informadas de que teriam que pagar um valor cinco vezes maior ao da dívida inicialmente contraída”, segundo um comunicado da Polícia Federal.

As pessoas detidas no Brasil serão acusadas formalmente pelos delitos de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual e de formação de quadrilha.

O grupo começou a ser investigado no ano passado depois que a Secretaria de Políticas para a Mulher do Governo brasileiro recebeu uma denúncia telefônica anônima.

Após estabelecer que a organização enviava suas vítimas à Espanha, a Polícia Federal solicitou a colaboração das autoridades espanholas.

“O resultado deste trabalho demonstra a importância da inserção internacional da Polícia Federal no exterior, o que permitiu uma rápida e eficaz troca de informações com a representação da embaixada do Brasil em Madri e com as autoridades espanholas para a execução da operação”, segundo o comunicado.