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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

O que Temer fez na reta final para emplacar a PEC do teto

Para garantir quórum na votação da proposta, presidente ofereceu jantar para mais de 200 parlamentares neste domingo

Brasília – Considerada a menina dos olhos do ajuste fiscal, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto de gastos públicos (PEC 241/16) movimentou o final de semana do presidente Michel Temer (PMDB). O peemedebista e o núcleo duro de seu governo participaram ativamente das articulações na reta final para garantir uma aprovação expressiva do texto-base na Câmara dos Deputados. 

O domingo de Temer foi agitado. De acordo com a liderança do governo na Câmara, Temer participou de uma reunião na residência do deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF), líder do PSD na Casa. 

No encontro, que ocorreu no Lago Sul, área nobre de Brasília, o presidente reforçou a importância de aprovar com boa margem a proposta que visa limitar as despesas públicas do governo federal.

Segundo Rosso, Temer e os líderes da base governista definiram uma estratégia para convencer parlamentares indecisos a votarem a favor da PEC do teto. 

Otimista, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que pela contabilidade dos líderes da base, haverá quórum nesta segunda para votar a proposta. “O número de votos contabilizados pelos líderes da base é mais do que suficiente para um bom resultado”, afirmou a EXAME.com.

Jantar para mais de 200

Com o objetivo de reforçar a necessidade de se aprovar a PEC para alcançar o equilíbrio das contas públicas e para garantir quórum na votação desta segunda-feira (10), Temer ofereceu na noite deste domingo (9), no Palácio da Alvorada, um jantar para mais de 200 parlamentares que integram a base governista.

De acordo com o cerimonial, o jantar reuniu 281 convidados, sendo 217 parlamentares – incluindo Maia e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) -, 33 ministros e assessores especiais e 31 esposas de congressistas.

Entre os presentes estavam os líderes do PSDB, Antonio Imbassahy; do PMDB, Baleia Rossi; do PSD, Rogério Rosso; do DEM, Pauderney Avelino; e do PTB, Jovair Arantes. Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Dyogo Oliveira (Planejamento), Mendonça Filho (Educação) e Ronaldo Nogueira (Trabalho) também compareceram.

O jantar contou com duas palestras dos economistas José Márcio Camargo e Armando Castelar. Depois deles, falaram Renan e Maia. Temer foi o último a discursar.

Em sua fala, o presidente afirmou aos deputados que qualquer movimento de natureza corporativista que tente denegrir a PEC “não pode ser admitido”. Além disso, Temer destacou o compromisso dos parlamentares para aprovar a PEC, parabenizando a “responsabilidade deles em comparecerem ao Congresso para votar uma matéria importante mesmo em uma antevéspera de feriado”.

O cardápio contava com salada com molho agridoce, risoto de shitake, filé ao molho madeira, salmão grelhado, legumes ao vapor e pene com tomate seco. Na sobremesa, as opções também eram variadas: frutas, pudim de tapioca e goiabada com queijo.

Indagada sobre o valor que teria sido desembolsado para a realização do jantar, a assessoria da presidência afirmou que não possui essa informação.

Em seu último passo para garantir a aprovação da matéria, Temer exonerou dois ministros de seu governo para que eles possam retomar temporariamente o mandato de deputados federais e votar a favor da PEC do teto de gastos públicos. De acordo com o Diário Oficial da União desta segunda-feira (10), os ministros Bruno Araújo (Cidades) e Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) foram exonerados. Após a votação da PEC, eles voltarão para as pastas.