O que já deu certo (e errado) em sete dias de Olimpíada

Conversamos com o público que acompanhou algumas disputas para listar alguns erros e acertos que foram destaque até agora nos Jogos. Veja quais são eles.

São Paulo – Uma semana após o início do mais importante evento esportivo do mundo,  o pessimismo em relação aos Jogos Olímpicos no Brasil parece  ter ficado para trás, pelo menos entre os brasileiros – que deixaram as críticas de lado para torcer efusivamente dentro e fora das arenas. 

Apesar da boa recepção do público e dos elogios da imprensa internacional, há uma lista de problemas que rondam a organização da Olimpíada.

EXAME.com conversou com o público que acompanhou algumas disputas para listar alguns erros e acertos que foram destaque até agora nos Jogos. Veja quais são eles:

Abertura

Centro das atenções do mundo, a cerimônia de abertura oficial dos Jogos Olímpicos levou os brasileiros ao delírio. Apesar do orçamento inferior às últimas edições, a “gambiarra artística”, como definiram os próprios diretores e produtores, rendeu elogios dentro e fora do país. 

Além da formação da cultura brasileira, um dos temas centrais do show foi a defesa da preservação do meio-ambiente. Com elementos visuais instigantes,  a festa driblou o baixo orçamento e entregou uma mensagem de superação de um país em recessão. 

O espetáculo contou com apresentações musicais de Paulinho da Viola, Karol Conka, Zeca Pagodinho, Anitta, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ao som de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, a supermodelo Gisele Bundchën arrancou suspiros com o desfile pelo palco do Maracanã. 

A mídia estrangeira exaltou o megaevento e repercutiu positivamente a festividade. O jornal britânico The Guardian, por exemplo, afirmou: “O tema de Pequim 2008 foi a China é grande, o de Londres 2012 foi ao quanto a Grã-Bretanha é grande. O tema de hoje? É melhor nós começarmos a fazer algo sobre o meio-ambiente ou nós talvez não tenhamos muitas Olimpíadas para celebrar no futuro”.

Abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro, no estádio do Maracanã. 05/08/2016

Segurança

Por ora, a segurança da Olimpíada do Rio tem transcorrido sem graves problemas.  Segundo visitantes consultados por EXAME.com , o policiamento é forte dentro e fora das arenas olímpicas.

“Há militares em todos os cantos da cidade”, diz o empresário Filipe Rodrigues, que assistiu quatro disputas de vôlei. “Aquele receio de andar com o celular na mão, por exemplo, não existiu. Me senti seguro”.

No entanto, o clima de festa não foi suficiente para estancar a criminalidade e alguns incidentes. Nesta quarta-feira (10), uma equipe de militares foi atacada a tiros ao entrar por engano no Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio. Um dos agentes foi baleado na cabeça. 

Na mesma semana, situações similares aconteceram na cidade. Uma bala perdida foi encontrada nas instalações do Complexo de Deodoro e um ônibus oficial da imprensa nos Jogos foi atingido por tiros quando se deslocava em direção ao Parque Olímpico da Barra. Ninguém ficou seriamente ferido.   

REUTERS/Pilar Olivares

Soldado faz guarda em frente ao Parque Olímpico - julho/2016

Filas

Desde o primeiro dia oficial de competições, foram diversos os relatos de filas imensas por conta da falta de coordenação. Segundo relatos de dois funcionários terceirizados que trabalham na realização dos Jogos, apenas um equipamento de raio-X estaria sendo usado para receber os visitantes que chegam ao Parque Olímpico enquanto outras quatro máquinas estariam, de acordo com eles, paradas. 

O Procon do Rio de Janeiro autuou Comitê Organizador por problemas ocorridos no primeiro fim de semana do evento. As longas filas e a falta de alimentos são as principais causas da ação. 

Segundo os agentes do Procon Estadual, alguns espectadores levaram cerca de duas horas para entrar na Arena de Rugby e perderam o início das disputas. 

O comitê terá 15 dias úteis para apresentar sua defesa. Se considerado culpado, poderá arcar com uma multa de até R$ 9 milhões.

Alimentos

O Comitê Organizador proibiu os visitantes de levarem comidas e bebidas para as arenas olímpicas. O fornecimento dos itens nas instalações, porém, não passou no teste de satisfação do público.

Para a coordenadora de marketing Natália Melo, que assistiu quatro disputas de vôlei e uma prova de hipismo, a alimentação deixou a desejar. “O preço era muito alto e a comida estava ruim”, diz a torcedora. Segundo ela, uma lata de suco é comercializada por R$ 12 e um lanche simples, por R$ 18.

No Complexo de Deodoro, houve problemas de abastecimento de comida. O erro básico de planejamento fez com que as lanchonetes do local vendessem apenas bebidas durante algumas partes do dia. Segundo voluntários, o erro primário causou desmaios em torcedores por fome.

(REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Mobilidade 

As linhas de metrô que levam os torcedores até as arenas não parecem estar dando conta do recado.

Nos últimos dias, o público que acompanhou as disputas noturnas enfrentou problemas para embarcar no transporte. Além da lotação nos vagões, usuários encontraram a estação fechada após 1h da manhã – o MetrôRio informou que as linhas funcionariam com horário estendido durante os Jogos, até às 1h30. 

(Guilherme Dearo/Exame.com)