O que esperar do cenário político do Brasil em 2017

Cinco cientistas políticos e analistas compartilham suas previsões para o cenário político em 2017; confira

EXAME.com convidou cinco analistas para traçar previsões para o cenário político em 2017.  Veja o que eles disseram:

Não descarte a hipótese de eleição indireta, por Marcelo Issa

Saudade do tempo em que pedalada era “crime de responsabilidade”, por Carlos Ranulfo

2017: um ano decisivo para alianças políticas, por Antônio Flávio Testa

Base aliada do governo será posta à prova já em fevereiro, por Thiago Vidal

Prepare-se para fatos que não estão no radar, por Lucas de Aragão


Não descarte a hipótese de eleição indireta

Quem diz:  Marcelo Issa, sócio-diretor da Pulso Público

Certamente, haverá ainda muita turbulência. A permanecerem as recentes e recorrentes divergências entre as instituições, em especial entre os poderes Legislativo e Judiciário, pode-se até mesmo vir a se estabelecer uma efetiva crise institucional. As perspectivas decorrentes dos conteúdos das delações premiadas que devem emergir em 2017 agravam e reforçam essa possibilidade. Esses conteúdos devem provocar também a substituição de uma quantidade expressiva de ministros ainda nos primeiros meses do ano.

Caso a conjuntura da economia não apresente sinais de recuperação, o setor produtivo pode vir a retirar o apoio às equipe econômica do governo Temer. Ademais, a proliferação de denúncias de corrupção contra o presidente e seus ministros deve intensificar a oposição da opinião pública à permanência do governo e pode fazer aumentar a frequência de manifestações nas ruas.

Nesse contexto, a fragilização do governo, a piora do cenário econômico e a insatisfação popular podem atingir tamanha intensidade que, embora resistente à renúncia, em função da proteção que o cargo oferece contra o processamento por crimes cometidos antes do mandato, o presidente pode ver-se constrangido a realizá-la.

Não se pode descartar, portanto, a hipótese de eleição indireta para presidente no próximo ano nem tampouco, embora mais improvável, o chamamento de eleição direta pelo Congresso para chefia do Executivo por meio de emenda constitucional. Por outro lado, entende-se que a cassação da chapa Dilma-Temer pelo Poder Judiciário em caráter definitivo é variável verossímil apenas em caso de agravamento  substancial da crise econômica e que, de qualquer modo, não teria resolução provável em 2017.


Saudade do tempo em que pedalada era “crime de responsabilidade”

Quem diz: Carlos Ranulfo Melo, professor titular do Departamento de Ciência Política da UFMG

A essa altura tornou-se evidente que o afastamento de Dilma não foi o remédio para nossos males. O episódio contribuiu, é certo, para recompor as relações entre Executivo e Legislativo, mas seu impacto foi nulo se considerarmos a crise econômica, o fosso aberto entre a sociedade e o mundo político, e as tensões provocadas pela Lava Jato.

Na economia, as previsões otimistas foram abandonadas. O Congresso aprofundou seu desgaste. E o Supremo, ao relevar a afronta de Renan em nome da “governabilidade”, acabou também pagando o seu preço.

Pior ainda, o presidente da República foi envolvido, juntamente com seus braços direito e esquerdo, e todo o núcleo dirigente do PMDB, no caixa 2 e propinoduto da Odebrecht – pelo seu impacto, a delação vazada deixa saudade do tempo em que pedalada fiscal foi batizada de “crime de responsabilidade”.

Se antes do vazamento a rejeição ao governo havia subido, pode-se imaginar o que vem por aí. De um lado, a turma de verde e amarelo vai ficando sem ter para onde correr. De outro, aqueles que mais dependem do Estado e sua rede de proteção social vão começando a perceber, ao somar a PEC 55 e a proposta de reforma da Previdência, que a conta da austeridade lhes será enviada.

Pergunta óbvia: com que legitimidade políticos envolvidos em tenebrosas transações dirão ao cidadão que ele terá que trabalhar, se houver emprego, e contribuir muito mais para garantir sua aposentadoria?

A crise não vai passar em 2017. Nem sequer sabemos quanto irá durar o governo. Isso vai depender da Lava Jato e dos humores da sociedade, para não falar do TSE. Por isso já se ouve dizer que ruim sem Temer, pior sem ele. Mas se sobreviver, o governo será fraco. Mais ainda, será uma farsa.


2017: um ano decisivo para alianças políticas

Quem diz: Antônio Flávio Testa, professor da Universidade de Brasília (UnB)

Tudo indica que 2017 será um ano difícil para o cenário político do Brasil. Como os indicadores mostram que a economia não está reagindo e que o nível de recessão é profundo, a insatisfação social e dos servidores públicos deve aumentar no próximo ano.

Politicamente falando, o governo federal tende a enfraquecer por ter uma base de sustentação frágil, mesmo com maioria no Congresso. Além disso, é importante frisar que as delações dos executivos da Odebrecht e o avanço nas investigações da Operação Lava Jato devem amplificar a turbulência no mundo político e é possível que o governo de Michel Temer não se sustente. Muita gente ainda será presa e condenada.

O fato é que 2017 será um ano decisivo para se estabelecer alianças políticas. Nesse contexto, é possível prever a chegada de novos candidatos no estilo da ex-ministra Marina Silva, pretensos ao estilo “salvador da pátria”. Ainda assim, a situação estará muito indefinida e teremos sérias crises pela frente.


A base aliada do governo será posta à prova já em fevereiro

Quem diz: Thiago Vidal, consultor da Prospectiva

Os grandes destaques de 2017 serão as eleições para a presidência das duas casas do Congresso, que ocorrerão em fevereiro. No Senado, a disputa parece caminhar para um consenso em torno do senador Eunício Oliveira (PMDB/CE), líder do partido e braço direito de Renan Calheiros (PMDB/AL).

A eleição na Câmara, por sua vez, colocará à prova a capacidade do governo de manter sua base coesa. Quatro parlamentares despontam como favoritos: Jovair Arantes (PTB/GO), um dos principais expoentes do “centrão” e relator do impeachment de Dilma Rousseff; Rogério Rosso (PSD/DF), líder do partido na Câmara; Marcos Montes (PSD/MG), correligionário de Rosso e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA); e Rodrigo Maia (DEM/RJ), atual presidente e nome preferido do Palácio do Planalto.

Ainda que parte dos nomes abandonem a disputa, a fragmentação da base governista a dois meses do pleito evidencia as dificuldades que Michel Temer deve enfrentar. Para evitar uma cisão ainda maior entre seus aliados, é possível que o presidente aloque insatisfeitos do “centrão” e dos partidos tradicionais (PMDB, DEM, PSDB, PPS, PSB) em cargos ministeriais, como já fez ao convidar o deputado Antonio Imbassahy (PSDB/BA) para a secretaria de Governo, no lugar de Geddel Vieira Lima (PMDB/BA).

A acomodação de forças não será fácil e caso não consiga estabilizar sua base aliada, Temer deve atravessar 2017 com turbulências políticas. O maior impacto, neste caso, tende a ser a votação da reforma da previdência.

Alguns fatores agravam esse cenário. A delação premiada dos executivos da Odebrecht, por exemplo, deve envolver onze ministros, além de cem congressistas, muitos dos quais aliados importantes do Executivo. O desgaste político de Temer somado a sua baixa popularidade e ao pessimismo em relação à economia pode levar o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] a cassar o mandato do presidente, provocando eleições indiretas, o que ainda não ocorreu por causa da acentuação da crise política que isso geraria.


Prepare-se para fatos que não estão no radar

Quem diz: Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice

Vai ser um ano truculento. A Lava Jato não vai parar. Podemos esperar a queda de ministros e situações bem constrangedoras para o governo Temer. Mas, de forma geral, a tendência predominante é de que Temer termine o mandato.

Temer não irá recuperar sua popularidade no ano que vem, mas isso não significa que ele irá perder o controle de seu mandato. O principal risco para a governabilidade continua sendo a Lava Jato e as ruas.

Eu acredito que vai ser um ano muito tenso politicamente. Vão existir muitos problemas que não estão no radar de ninguém, como a questão o Marcelo Calero e do Geddel. Ninguém esperava.

No primeiro semestre, a delação da Odebrecht vai produzir poucos fatos, mas muitos rumores que deixarão a situação muito intranquila.

A Reforma da Previdência não vai ser uma vitória tranquila como foi a PEC do Teto. Ela vai provavelmente sofrer mudanças, principalmente na Câmara. No Senado, tende a ter uma tramitação mais tranquila. Já a reforma política não deve trazer grandes mudanças. Afinal, reforma política é que nem carnaval: tem todo ano.

Veja o Especial de Ano Novo 2017 de EXAME.com

Comentários

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  1. Olivio Antonio dos Santos

    O que podemos esperar, no que tange a desenvolvimento, crescimento e prosperidade do País se, a maioria de nossas instituições estão envolvidas em todo o tipo de desvio de conduta, ética, corrupção e delapidação do patrimônio da União, Estados e Municípios?
    Hoje, além da Constituição ser preterida em benefício de criminosos, quando se legisliza se visa apenas a proteção dos malfeitores, sem qualquer constrangimento patriótico ou com a sociedade, desde que se torne impune.

  2. Oseas Siqueira

    Dizia eu no fórum Estadão, entre outros, em 19/01/2016, há quase um ano portanto: As máscaras estão caindo e CONTINUARÃO CAINDO e pelo que se vê o CONGRESSO VAI RUIR como se viu ruírem as casas no doméstico tornado de Xanxerê (SC). O vento está batendo forte e dia após dia, neste início do primeiro século deste sétimo e último milênio, baterá mais forte ainda nas estruturas do Poder criadas pelo vulgo, pelo homem natural, ANIMAL e até BESTIAL. Acompanhe. A realidade, O FATO, é que estamos no século XXI e em um novo milênio, o sétimo e último milênio, biblicamente o DIA DO SENHOR..

    Dizia ainda: As mentalidades ainda permanecem nas podres raízes do milênio passado, políticos e ELEITORES não se deram conta ainda de que entramos em um novo milênio, é um novo tempo, entende? E NÃO HÁ ESPAÇOS neste novo tempo para andar com a PESADA E DIABÓLICA BAGAGEM do milênio passado, onde PREVALECERAM sempre a ADULAÇÃO, a DISSIMULAÇÃO, a hipocrisia, o cinismo, a farsa, como se vê no CONGRESSO NACIONAL, nota-se que políticos E ELEITORES estão andando em areia movediça com esses tipos de postura e comportamentos de VELHAS RAPOSAS. Até mesmo a Marina, o pastor Everaldo, Magno Malta, Eduardo Cunha, André Moura, e o famoso eleitor Malafaia, parecem-se muito com a velha raposa, o demoníaco TETRARCA HERODES, de modo que o que se vê no atual processo ou sistema político vigente no Brasil e fora dele se caracteriza perfeitamente como hediondo/repugnante/ sórdido e traiçoeiro. VADE RETRO SATANA.

    E dizia mais: O poder temporal dos maus NÃO IRÁ AVANTE absolutamente porque o Poder Maior não permitirá E ESTA É A PALAVRA QUE PREVALECERÁ, não irão avante. Por não discernirem os tempos, políticos e ELEITORES completamente POSSESSOS perderam o rumo e acham ou pensam que podem manter o velho, nebuloso, arcaico e ultrapassado status quo das demoníacas atividades políticas que adotaram ou adotavam no milênio que passou através do SISTEMÃO POLÍTICO VIGENTE NO PAÍS. Ahahahaha, estão desnorteados, ahahaha, e vão ficar mais desnorteados ainda daqui por diante e A ESPERANÇA DOS HIPÓCRITAS FICARÁ FRUSTRADA e a todos SERÁ MANIFESTO os seus DESVARIOS.