O PT pós-impeachment

Caso o impeachment da presidente Dilma Rousseff se confirme, qual o futuro do PT a partir de quinta-feira? O partido voltará para oposição após 13 anos de governo. Seus integrantes terão que deixar milhares de cargos comissionados. Dilma Rousseff começa uma longa agonia de até 180 dias até a votação final de seu impedimento no Senado. No ar, uma série de dúvidas, e um punhado de certezas.

O PT marcou para a próxima terça-feira um encontro com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir como agirá na volta à oposição. Mas algumas táticas já estão definidas. Lula e altos membros do partido já decidiram atacar Michel Temer na economia. É consenso entre economistas que a recuperação, na melhor das hipóteses, virá apenas em 2017, e o PT quer explorar essa janela ao máximo.

No campo político, alguns militantes defendem uma guinada à esquerda e uma reaproximação dos movimentos sociais e das bandeiras progressistas. Outros alegam que não é mais possível se comportar como nos 90 após 13 anos comandando o país. A liderança de Lula será essencial no processo — e o líder do partido vem dando sinais trocados nos últimos dias.

No 1º de maio, quando Dilma lançou uma série de medidas com caráter social, o ex-presidente não participou do evento. Alegou problemas de saúde, mas informações de bastidores revelam que ele quer evitar associar sua imagem à de Dilma de olho em fortalecer sua possível candidatura em 2018. O tamanho do apoio do partido a Dilma nos próximos meses é uma incógnita. Na segunda-feira, o senador petista Humberto Costa afirmou que ela é uma pessoa com “dificuldade de dialogar” e que “não se adaptou a um modo de fazer política que existe no Brasil” .

A presidente desistiu de descer a rampa do Planalto, em ato simbólico, caso o Senado de fato decida pelo seu afastamento. Na quinta-feira, ela deve sair pelo térreo e saudar os cerca de 10.000 manifestantes esperados para apoiá-la. A partir daí, o apoio nas ruas tende a arrefecer — dentro do partido, também.