O efeito Lula nos municípios

Mais um revés para a conta do PT às vésperas das eleições municipais. O juiz federal Sergio Moro aceitou denúncia da força-tarefa da Lava-Jato e tornou réu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Grande nome da sigla, Lula foi cabo eleitoral de Dilma e decidiu o jogo nas últimas eleições municipais. Há quatro anos, a então presidente Dilma Rousseff batia recorde de aprovação em seu mandato, com 59% na pesquisa Ibope, enquanto o candidato à prefeitura da capital paulista, Fernando Haddad, colava em José Serra rumo à vitória.

Em 2016, a mesma Dilma completa 20 dias de mandato cassado, enquanto Haddad amarga um quarto lugar nas pesquisas. Para analistas políticos, a imagem do PT e de seus líderes traz para baixo o desempenho geral do partido Brasil afora, em especial pelas denúncias de corrupção desvendadas pela Operação Lava-Jato e o afastamento de Dilma do cargo. Os números comprovam: o partido tinha 1901 candidatos em 2012 e hoje tem 989 postulantes, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Só em Rio Branco e em Porto Velho os petistas lideram, das 19 capitais em que têm cabeça de chapa. Em Recife e Porto Alegre há chance de segundo turno. “A previsão para o PT é sombria. Em 2012, elegeram quase 700 prefeitos e, pelas projeções, vão emplacar 300. A tendência é que um partido que elege menos prefeitos, dois anos depois, venha a perder cadeiras no Congresso. Espera-se um impacto muito forte em 2018, que gerará encolhimento geral do partido”, afirma David Fleischer, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília.

Depois da eleição, a depender da postura e desempenho do partido, pode haver uma nova saída em massa e até a fundação de novas legendas de esquerda. Lula e outros caciques saíram às ruas nos últimos dias para retomar contato com a militância e impulsionar candidaturas. Com a notícia de ontem, o apelo perde ainda mais força.