São Paulo - Nos protestos de hoje, as palavras de ordem contra o governo não eram os únicos gritos que se faziam ouvir. Vendedores ambulantes também anunciavam seus produtos, de água a máscaras da presidente Dilma, de cachorro-quente a pulseiras verde e amarelas.

Muitos aproveitaram a movimentação para liquidar os estoques da Copa do Mundo. Com preços mais baixos, o objetivo era vender até a última bandana aos manifestantes que se reuniram na avenida Paulista, em São Paulo.

Alguns vendiam inclusive os cartazes produzidos pelo Grupo Habib's. O dono das marcas Ragazzo e Habib's posicionou-se ao lado dos protestos contrários ao governo e distribuiu faixas da sua campanha "Fome de Mudança", com textos como “Brasil, olha eu aqui”.

José Roberto foi um dos ambulantes que trouxeram todo o seu estoque verde-amarelo para as ruas. Com preços mais baixos, todas as bandanas já tinham sido vendidas antes do início do protesto.

Luis Carlos também expôs seus produtos na avenida - era o segundo protesto contrário ao governo que ele participava como vendedor. As pulseiras, brincos e bandanas tinham preço médio de 2 reais.

A vendedora Meire das Neves é especialista em protestos. Ela comercializa água e geladinho em grandes eventos e diz que é imparcial, vende tanto em movimentos contrários ao governo quanto nos que são a favor. Hoje ela disse que faturou muito mais do que no carnaval.

Foi o carnaval que levou Cláudio Benedito Oliveira a se tornar vendedor por um dia. O empresário encomendou, para um bloquinho que estava organizando, 200 máscaras plásticas do "japonês da Federal", Newton Ishii, que esteve presente em prisões importantes como as de do ex-chefe da casa civil José Dirceu, do empresário Marcelo Odebrecht e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

No entanto, as máscaras chegaram apenas na quarta-feira de cinzas. "Comprei por 4 reais, estou vendendo por 5 reais. Vou recuperar o preço da passagem de volta para Pinamonhangaba, minha cidade", disse.

Mas nem todos estavam satisfeitos com as vendas. Paulo, que não quis divulgar o sobrenome, diz que está todo domingo na avenida Paulista para vender vinis raros, que custam de 20 reais a 150 reais. No entanto, ele não vendeu um único disco, mesmo com as centenas de pessoas passando pelo local. 

“É importante que o povo vá para a rua, mas hoje a muvuca é muito grande, atrapalha minhas vendas. Mas a rua é assim: é sorte”, disse ele.

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