Aguarde...

Cidades | 03/12/2011 18:32

Urbanista do MIT quer transformar favelas em "centros vibrantes de inovação"

Dennis Frenchman, especialista em urbanismo do Instituto de Tecnologia de Massachusets, diz como transformar bairros carentes em lugares melhores para se viver

Marco Túlio Pires, de

Reprodução

Favelas nas periferias, emaranhado de ligações clandestinas e caos no trânsito

Dennis Frenchman: "O Banco Mundial deveria investir em internet gratuita e celulares para as comunidades carentes"

Aos 63 anos, o arquiteto Dennis Frenchman é uma das maiores autoridades na área de planejamento urbano e transformação de cidades do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). O arquiteto é mestre em planejamento urbano e carrega o título de professor Leventhal de Design Urbano e Planejamento no MIT, uma tradicional cadeira que confere ao titular acesso aos mais variados recursos de pesquisa em uma das maiores instituições científicas do mundo.

Frenchman já deu aulas na Ásia, na Europa e na América do Sul e também serviu como conselheiro do presidente do Banco Mundial na área de habitabilidade urbana. Em projetos de grande escala, revitalizou áreas de cidades como Seul, Pequim e Zaragoza, na Espanha, com a criação de verdadeiros centros de tecnologia e inovação.

Seu mais recente projeto é transformar uma área industrial no México, que será anunciada em janeiro de 2012, em uma espécie de MIT: aproveitando a arquitetura da região, o velho centro da cidade vai receber instituições de pesquisa, escolas, casas e novas empresas.

O arquiteto acredita que a preparação de regiões carentes para o século que se inicia passa pela necessidade de fazer com que as pessoas se sintam parte da cidade. Isso e muita tecnologia. “O século XXI será dominado por postos de trabalho que dependem da internet”, disse.

O especialista conversou com a reportagem de VEJA sobre as lições aprendidas na revitalização de cidades e apontou caminhos que podem ajudar a transformar as regiões carentes do Brasil em áreas vibrantes e geradoras de inovação.

Quais as principais lições que o senhor aprendeu ao transformar tantas cidades diferentes ao redor do mundo?

A principal lição é que devemos ser humildes. Não precisamos perder tempo reinventando as coisas para que o futuro seja melhor. As cidades são organismos duradouros, existirão por muito mais tempo que qualquer geração de seres humanos. Temos a responsabilidade de olhar para frente, desenvolvendo soluções inovadoras e inteligentes, mas sobretudo para trás. Quanto mais entendemos o passado, melhor sabemos o que devemos fazer para melhorar a vida nas cidades.

O que se aprende olhando para o passado?

A sustentabilidade, por exemplo, é uma grande questão para o futuro das cidades e da humanidade. Nossos antepassados lidavam com o clima de uma forma mais criativa do que nós. Hoje, construímos em qualquer tipo de terreno, sob as condições mais adversas, algo que seria praticamente impossível há 200 anos. Para superar essas dificuldades, usamos a tecnologia. Um exemplo é o ar condicionado.

Comentários  

Editora Abril

Copyright © Editora Abril - Todos os direitos reservados