São Paulo - Trabalhadores da indústria têxtil brasileira se manifestaram nesta quarta-feira em frente a porta da Feira Chinesa de São Paulo contra a importação de produtos do país asiático, que segundo o setor, contribuíram para perda de milhares de empregos no Brasil.

Segundo expressaram diferentes associações e sindicatos do setor em comunicado, nos últimos anos ocorreu um "aumento indiscriminado" de importações, principalmente provenientes da China e Índia, assim como um aumento do número de demissões provocadas pelo fechamento de fábricas.

Desde o início do ano, foram destruídos no setor têxtil do país 55 mil empregos, segudo um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Estamos lançando um grito de alerta para sociedade e o Governo brasileiro já que a indústria têxtil do país, a quarta maior do mundo, está sendo atacada violentamente pelos produtos importados da Ásia", apontou à Agência Efe Fernando Pimentel, um dos porta-vozes da Associação Brasileira de Indústria Têxtil na manifestação (ABIT).

Com cartazes de "Fora China", centenas de pessoas se concentraram diante no Feira Chinesa de São Paulo, na qual desembarcaram cerca de 500 produtores e comerciantes chineses para promover seus produtos no país.

"Faz muito tempo que cenário deixou de ser de competitividade entre as empresas para ser de competitividade entre países. Além de combater as exportações desleais, o Brasil ainda precisa urgentemente voltar a ser competitivo para não se desindustrializar", afirmou o presidente da ABIT, Consoada Diniz Filho.

De acordo com o setor, nos primeiros meses de 2013 as exportações cresceram 8,2% com relação ao mesmo período de 2012, enquanto na última década o valor de produtos têxteis passou de US$ 110 milhões para US$ 2,1 bilhões.

"Não podemos permitir uma invasão desenfreada de produtos estrangeiros no país, que representa uma ruptura das indústrias e a perda de milhares de empregos", apontou o presidente de uma das maiores centrais operárias do país (Força Sindical), Paulo Pereira da Silva. EFE

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