São Paulo – Marina Silva pode não ser fã de carteirinha do agronegócio, mas Beto Albuquerque, seu vice na chapa do PSB que disputa a presidência, é.

Defensor da soja transgênica, o pavor dos ambientalistas hardcore, Alburqueque atua com desembaraço entre os empresários ligados à agricultura.

A aproximação de Eduardo Campos  da ex-senadora Ana Amélia Lemos, candidata ao governo do Rio Grande do Sul e defensora do agronegócio, no ano passado, teria sido articulada por Albuquerque, então deputado federal. É o que diz o jornal Folha de S. Paulo.

A ligação de Albuquerque com o agronegócio não é recente. Pelo menos nas duas últimas eleições, empresas ligadas ao agronegócio foram suas principais doadoras, segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo.

Em 2004, Beto foi um dos principais articuladores no Congresso da Medida Provisória que liberou o plantio de soja transgênica na safra de 2004/2005 – como mostra texto do Zero Hora publicado no site do hoje vice de Marina, que era contrária à medida.

Na reportagem, ele é apresentado como quem teria recebido garantias do então presidente Luis Inácio Lula da Silva de que a MP seria assinada.

Mesmo assim, o candidato a vice mantém um bom relacionamento com a líder da chapa. Na quinta passada, segundo informações da revista VEJA, Beto teria visitado a ex-senadora e a aconselhado a abraçar o PSB. Em post no Facebook publicado na manhã de hoje, ele afirma que levará o legado de Eduardo Campos com Marina: 

Aos 51 anos, Betinho (como era chamado na Câmara dos Deputados, segundo o Jornal Zero Hora) foi deputado federal quatro vezes consecutivas e duas vezes deputado estadual. Na primeira disputa por vaga na Assembleia Legislativa do Estado, em 1990, foi o terceiro candidato mais votado no Rio Grande do Sul.

Até a manhã da última quarta-feira, 13 de agosto, Beto Albuquerque se fixava no maior desafio político de sua vida: fazer decolar a sua candidatura ao Senado pelo Rio Grande do Sul – ele estava em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais.

“Já fui governo e oposição”

Da mesma forma que Campos e Marina, Beto também foi aliado do governo petista durante a era Lula. Neste período, chegou a assumir o posto de vice-líder do governo na Câmara. Segundo o Jornal do Comércio do RS, ele era o porta-voz de Lula para temas em assuntos difíceis, como o mensalão.

Com a chegada de Dilma Rousseff ao poder, como outros aliados, Beto viu sua influência minguar, segundo o Jornal O Globo, e de governista ele virou oposição, como afirmou em debate com os candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul no último dia 11. 

Atualmente, ele era o principal negociador da campanha de Campos. Quando a notícia da morte do amigo foi confirmada, ele usou o Twitter para dizer que a dor que sentia só era comparada ao que viveu quando perdeu o filho Pietro, que tinha 19 anos e morreu em 2009 lutando contra a leucemia.

Dois meses após a morte do filho, Albuquerque conseguiu a aprovação de uma lei que dedica uma semana de dezembro para campanhas de doação de medula óssea.

Beto tem outros três filhos. Natural de Passo Fundo, ele é filho de um mecânico - com quem trabalhou até os primeiros anos de faculdade. 

É formado em Direito pela Universidade de Passo Fundo. Começou sua carreira política presidindo o Diretório Acadêmico América Latina Livre e o Diretório Central de Estudantes. Em 1986, se filiou ao PSB – quatro anos antes da entrada de Miguel Arraes, avô de Campos, no partido. 

“Minha alma pensa grande; meu partido é o Rio Grande”, canta o jingle da campanha do ex-candidato ao Senado. Agora, o desafio de Beto é fazer sua influência ultrapassar as fronteiras do estado e neutralizar o incômodo de setores, como o agronegócio, que podem torcer o nariz para a candidatura de Marina.

Tópicos: Beto Albuquerque, Eleições 2014, Política no Brasil, Marina Silva, Personalidades, Celebridades, Políticos, Políticos brasileiros, PSB, Partidos políticos