Rio de Janeiro - Os profissionais da educação da rede municipal do Rio de Janeiro decidiram hoje (25), em assembleia, encerrar a greve iniciada no começo de agosto. A votação foi apertada, sendo necessário fazer uma contagem de votos. A decisão pelo fim da greve teve 1.085 votos e a continuação recebeu 889. Também houve 14 abstenções.

A assembleia ocorreu no Clube Municipal, na Tijuca, zona norte do Rio e a discussão acalorada durou quase seis horas até a decisão, com muitas manifestações contrárias ao acordo firmado na terça-feira (22), em Brasília, no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que prevê o arquivamento, sem punição, dos processos administrativos, inquéritos ou sindicâncias contra os servidores em greve.

No acordo, que teve a participação da diretoria do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), também ficou expresso o abono das faltas durante a greve atual e as anteriores. Após a fala do sindicato favorável ao fim da greve, parte do plenário da assembleia cantou “você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”.

A greve chegou a ser suspensa em setembro, após acordo com a prefeitura, mas o governo apresentou e aprovou um plano de cargos que desagradou à categoria, o que fez com que a mobilização dos profissionais fosse retomada. De acordo com a coordenadora do Sepe, Gesa Corrêa, a greve foi encerrada, mas a mobilização continua.

“A categoria sinalizou, em toda a sua intervenção, que não vai sair da luta, no sentido de que ela rejeita o plano de Eduardo Paes e nós vamos continuar tentando abrir esse canal de negociação. A gente não aceita professor polivalente, a gente não aceita que a merendeira não seja chamada cozinheira, a gente não aceita percentual diferenciado na progressão por tempo de serviço e formação, um para professor outro para funcionário. Então a luta não acabou”, disse Gesa.

A categoria ainda está discutindo o calendário de reposição das aulas.

A Secretaria Municipal de Educação divulgou nota na noite de hoje em que informa ter recebido "com satisfação" a decisão da assembleia dos profissionais da educação de encerrar a greve nesta sexta-feira. Na nota, a secretaria ressalta que "todos os acordos firmados pela Prefeitura com o sindicato serão cumpridos, como já vinha sendo feito desde o início das negociações".

A secretaria agradece a todos os professores que acreditaram nos acordos firmados com a categoria e continuaram trabalhando apesar da greve e considera fundamental para o fim da greve a iniciativa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, na intermediação das negociações entre a prefeitura e o Sepe.

Ainda segundo a nota, a secretaria esclarece que caberá à direção de cada unidade escolar dimensionar as ausências ocorridas e elaborar seu plano de reposição.

"É importante ressaltar que uma parcela pequena das escolas ficou sem aulas. Para esses alunos, haverá reposição de aulas de duas formas: a partir do plano de reposição de cada escola e uma recuperação emergencial de aprendizagem por meio de intensificação do reforço escolar para os mais prejudicados, leitura e dever de casa com material especificamente preparado para essa reposição, além de aulas da Educopédia [plataforma da Secretaria Municipal de Educação de aulas digitais online] ", diz a nota.

A secretaria informa ainda que poderão ser utilizados, além do contraturno, a semana prevista para o período de recesso do mês de dezembro de 2013, os sábados e os dias em que não estejam previstas atividades regulares nas unidades escolares, horários vagos na grade escolar e também o mês de janeiro de 2014.

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