Rio de Janeiro – Policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do 14º Batalhão (Bangu) fazem hoje (1º) uma operação em favelas de Bangu, na zona oeste do Rio, em busca dos homens que tentaram resgatar presos no Fórum de Bangu, na tarde de ontem, e que na fuga trocaram tiros com a Polícia Militar (PM), baleando e matando um menino de 8 anos e um policial militar. Uma mulher e um policial ficaram feridos.

Os policiais chegaram às 6h nas comunidades conhecidas como Curral das Éguas, Minha Deusa, 77 e Vila Vintém e foram recebidos a tiros. Dois homens foram presos. Segundo nota da PM, quatro suspeitos foram presos na noite de ontem quando tentavam fugir da Vila Vintem em um automóvel preto. Com eles, foram apreendidos 3.273 sacolés de cocaína, 2.286 pedras de crack, dois carregadores e 39 munições. Também na noite de ontem, a polícia encontrou um carro que teria sido usado pelos criminosos. O veículo estava abandonado em um posto de gasolina em Padre Miguel, também na zona oeste. A polícia fez perícia no carro e para verificar a existência de impressões digitais.

O corpo do menino Caio da Silva Costa está sendo velado na capela Moça Bonita, ao lado do estádio de futebol de mesmo nome, em Bangu. O enterro está marcado para as 11h no cemitério do Murundu, em Realengo, também na zona oeste. Após o enterro, amigos da família farão uma manifestação no local onde a criança caiu baleada. O policial morto será enterrado às 16h no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste.

O Fórum de Bangu está isolado para ser periciado e o policiamento está reforçado no entorno. Muitos curiosos se aproximam do cordão de isolamento, comentando a ação violenta ocorrida na tarde de ontem. "De repente, um carro parou na calçada ao lado do fórum. Homens desceram armados e mandaram tirar as crianças da rua, porque eles só queriam policiais. Aí, foi tudo muito rápido. Muito tiro, correria, gritos e vimos a criança caída, sangrando muito na cabeça", contou um comerciante, dono de loja ao lado do Fórum.

O delegado Alan Costa, da Divisão de Homicídios, que esteve no fórum na noite de ontem, disse que a tentativa de resgate dos presos que estavam em audiência teve a participação de muitos homens, sendo que apenas três entraram no fórum. "Dá para ver claramente o rosto dos três nas câmeras", disse.

O menino Caio, atingido durante o fogo cruzado entre a polícia e os bandidos, seguia com a avó, Rosana, para a escolinha de futebol do Bangu, a cerca de 100 metros do Fórum. A avó foi atingida na orelha direita por estilhaços. A Secretaria de Saúde do Estado informou que o policial militar atingido no abdomem foi operado e seu estado de saúde é grave. A mulher também ferida na barriga está em estado estável. Os dois estão internados no Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo.

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