São Paulo - As ações vistas durante violenta manifestação na segunda-feira, 28, na zona norte de São Paulo, levaram a polícia a acreditar na presença de criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) nos protestos.

Segundo o delegado-geral, Maurício Blazeck, porém, ainda não foi encontrada nenhuma prova que ligasse a facção aos ataques. "Estamos investigando com cuidado, para evitar alarmismo", disse.

Segundo o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, "nenhuma hipótese está descartada". Os protestos começaram depois da morte do estudante Douglas Martins Rodrigues por um PM, no domingo. Foram usadas armas para interceptar motoristas de ônibus e caminhão na Rodovia Fernão Dias.

A presença da facção na região do Jaçanã e Vila Maria é conhecida pelos serviços de inteligência da Polícia Militar. Desde junho do ano passado, conflitos e mortes foram vinculados ao PCC, como a queima de um ônibus com dois moradores dentro depois de um suspeito de tráfico morrer durante abordagem policial.

De acordo com moradores, somente com a autorização do "sintonia de área" da facção criminosa é possível ocorrer ataques como aqueles vistos na segunda-feira.

Portas abertas

Um dia após o toque de recolher nos bairros Parque Edu Chaves e Jardim Brasil, o clima é de menos medo entre os moradores. Ônibus circularam, e a maioria dos comerciantes decidiu abrir as portas.

"Ontem (terça-feira, 29), havia uma ordem para fechar, mas hoje decidimos abrir", afirmou a proprietária de uma loja de sapatos, que retirou todo o estoque do estabelecimento.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, as escolas funcionaram normalmente ontem. Mas alguns pais ainda estavam com medo. "Hoje (quarta-feira, 30) eu levei minha filha na aula, mas ela disse que quase ninguém foi", afirmou uma moradora do Jardim Brasil, que preferiu não se identificar.

Houve ainda quem tentasse se recuperar dos ataques de segunda-feira. O proprietário da loja Lakau, que teve dois estabelecimentos saqueados no domingo e na segunda, acompanhava a reforma da porta da loja, na Avenida Edu Chaves. "Estou trocando portas e colocando barras de proteção. Tive metade das mercadorias furtada. Ainda não consegui contabilizar o prejuízo total", disse Zelito Alves, de 55 anos.

Ele afirmou que só abrirá as portas quando tiver mais segurança. "Estou pensando em fechar a Lakau da Avenida Roland Garros (que também foi saqueada). A loja existe há 26 anos e já foi assaltada 25 vezes. Estou muito desanimado."

Policiamento

Muitas viaturas e motos da Polícia Militar ainda circulavam pela região nesta quarta-feira. Segundo moradores, ainda havia boatos de novos ataques. "Por enquanto, parece só boato, mas a gente nunca sabe", disse uma moradora do Jardim Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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