São Paulo – Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, afirmou que poderá trocar uma equipe inteira de uma investigação caso haja vazamento de informações.

"Cheirou vazamento de investigação por um agente nosso, a equipe será trocada, toda. Não preciso ter prova. A Polícia Federal está sob nossa supervisão", disse o ministro em entrevista ao jornal.

Ao ser questionado sobre rumores que dizem que sua nomeação ao Ministério da Justiça teria sido feita para atrapalhar a Operação Lava Jato, Aragão afirmou que não barraria a investigação de jeito nenhum.

O ministro mencionou que os vazamentos de informações da Lava Jato são vistos como seletivos por algumas pessoas e disse: “não podemos tolerar seletividade”. Ele também afirmou que há uma politização do procedimento judicial.

Aragão falou ainda sobre a delação premiada, recurso ostensivamente usado na Operação Lava Jato no qual os acusados fornecem informações valiosas com o objetivo de reduzir suas penas. Em sua opinião, ao decretar a prisão preventiva ou temporária para que a delação ocorra, a voluntariedade dos acusados pode ser colocada em dúvida.

Segundo o ministro, a delação premiada deixa a investigação em uma situação muito próxima de extorsão. “Não quero nem falar em tortura. Mas no mínimo é extorsão de declaração”, disse Aragão a entrevista à Folha.

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