São Paulo – A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (22), a 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "Acarajé" — em referência ao termo utilizado pelos investigados para falar sobre dinheiro.

João Santana, marqueteiro e responsável pelas duas campanhas de Dilma Rousseff à presidência e pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, é um dos alvos da operação de hoje.

A polícia declarou um mandado de prisão temporária contra ele e sua mulher e sócia, Mônica Moura. No entanto, o casal está na República Dominicana, mas deve retornar ainda hoje para o Brasil, segundo comunicado de Fábio Toufic, advogado do publicitário. 

A suspeita é de que Santana recebeu 7,5 milhões de dólares em uma conta secreta no exterior oriundos do esquema de corrupção da Petrobras.

"Em 2012 e 2013, ele recebeu quase 50 milhões de reais no Brasil, por que ele precisaria esconder valores de uns 10% disso? A gente trabalha com a hipótese de que é pela finalidade ilícita dos recursos que foram repassados no exterior", afirmou o delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace na manhã de hoje. 

De acordo com a PF, a Odebrecht, por meio de offshores (empresas no exterior), depositou 3 milhões de dólares em uma conta da offshore Shellbill Finance SA entre abril de 2012 e março de 2013.

Os investigadores afirmam que têm indícios suficientes para crer que a conta pertence ao casal de publicitários. A suspeita é de que parte desse valor tenha sido investido por Santana em um apartamento de 3 milhões de reais em São Paulo - o imóvel foi sequestrado pela PF hoje. 

Além desses depósitos, a PF constatouo repasse de  4,5 milhões de dólares para a mesma conta entre setembro de 2013 e novembro de 2014. A operação teria sido conduzida pelo engenheiro Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels no Brasil. Investigado por pagar propina para os ex-diretores da Petrobras Renato Duque e Nestor Cerveró, o operador foi preso preventivamente nesta manhã no Rio de Janeiro. 

A ação desta segunda é norteada pela análise de documentos apreendidos na casa de Skornicki na nona fase da Lava Jato. Entre eles  estava uma carta de Mônica Moura, com um contrato da Shellbill com as offshores da Odebrecht. Outro indício de que a conta pertence ao casal, segundo os investigadores, são depósitos  para Suriá Luiri, filha do publicitário. 

Santana entrou na mira da PF em maio do ano passado. Naquele momento, a PF apurava  se duas empresas do marqueteiro trouxeram 16 milhões de dólares (ou o equivalente na época a 33 milhões de reais) de Angola em um esquema de lavagem de dinheiro com vistas a beneficiar o PT. A hipótese era de que os valores teriam sido repassados a Santana por empreiteiras brasileiras que têm operações no país africano como uma forma de quitar débitos do partido, de acordo com a publicação.

Odebrecht

Rodolfo Burher/Reuters

O executivo Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato

O executivo Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato

Outra linha de investigação que surgiu dos documentos apreendidos na nona fase engrossa ainda mais o caldo de acusações contra Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira Norberto Odebrecht e um dos réus da Lava Jato. 

O Ministério Público Federal afirma, em nota, que encontrou "novas provas do possível envolvimento de Marcelo Odebrecht em novos crimes graves". Segundo as investigações, o empresário controlava pagamentos feitos no exterior por meio de offshores para João Santana, José Dirceu e funcionários públicos da Argentina.  

O procurador Carlos Lima afirma que há indícios de que Odebrecht tentou transferir funcionários para o exterior com o intuito de dificultar as investigações.

Segundo os investigadores, Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho e Luiz Eduardo Rocha Soares - que tinham vínculo formal com a empreiteira - eram responsáives por fazer os pagamentos os pagamentos ilegais por meio das offshores Klienfeld e Innovation, ligadas à empreiteira.

Marcelo Odebrecht está preso desde junho de 2015. Em outubro, ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposto pagamento de R$ 137 milhões em propina entre 2006 e 2014. 

Desde cedo, agentes faz buscas na sede da Odebrecht em São Paulo e em escritórios no Rio de Janeiro e na Bahia.

Cerca de 300 agentes da polícia cumprem 51 mandados judiciais, sendo 2 de prisão preventiva, 6 temporárias e 5 de conduções coercitivas em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Até o momento, foram apreendidos cerca de 500 mil reais em bens, segundo cálculo do delegado Igor Romário. 

* Atualizado às 11h34 para incluir informações apresentadas na coletiva de imprensa

* Atualizado às 13h44 para incluir comunicado do advogado de João Santana

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