Rio de Janeiro - Em meio ao clima de comoção do enterro do menino Kayo da Silva Costa, de 8 anos, morto ontem (31) durante tentativa de resgate de presos do Fórum de Bangu, o avô do menino quebrou o silêncio. Juamir Farias Rosário criticou a falta de segurança no entorno do prédio onde os presos prestavam depoimento.

Neste momento, parentes e moradores organizam um protesto em frente ao prédio do Judiciário no bairro e interditam a Rua Silva Cardoso, que dá acesso ao prédio. As policias Civil e Militar organizam operações em favelas da região para identificar os envolvidos na ação criminosa de ontem. Seis pessoas foram detidas. Segundo o avô, o fechamento das ruas Silva Cardoso e 12 de Fevereiro, onde fica o fórum, poderia ter evitado a tragédia que terminou na morte do menino e de um policial militar, na troca de tiros. Para ele, falta segurança para os moradores durante a audiência de presos perigosos.

"Pelo que a gente viu, essas ruas e mais uma ou duas adjacentes deveriam ter sido fechadas. Eles sabem como fazer o esquema de segurança, não sei por que não fizeram", disse Rosário. "Como aconteceu com meu neto, poderia ter sido com mais pessoas", completou Juamir, que participa do protesto. A esposa dele, que levava o menino para aula na escolinha de futebol do bairro, teve ferimento de raspão na orelha e passa bem. Ela não compareceu ao enterro do menino, pela manhã, no Cemitério de Realengo, conhecido por Murundu.

O enterro do policial militar morto durante a ação dos criminosos em Bangu está previsto para as 16h desta tarde, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.

Hoje, o secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, pediu a transferência para presídios estaduais de Alexandre de Melo e Vanderlan Ramos da Silva, que foram alvo da ação de resgate que terminou com as mortes.
Pelo menos três operações de resgate de presos foram organizadas por criminosos nos últimos seis meses, no estado do Rio. Em uma delas, um policial militar morreu.

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