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Em 5 anos | 19/07/2012 13:13

O que mudou no mercado de trabalho brasileiro, segundo a ONU

As mulheres trabalham mais que os homens e as desigualdades de gênero e raça diminuíram em vários aspectos. Desafios para o país permanecem, no entanto

Alexandre Battibugli/EXAME.com

Trabalhadores da construção civil em São Paulo

Trabalhadores da construção civil: o desemprego no Brasil diminuiu, o rendimento aumentou, mas as diferenças entre homens e mulheres permaneceram expressivas, segundo a OIT

São Paulo - A Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma das agências das Nações Unidas (ONU), divulgou hoje relatório sobre as mudanças nas condições de trabalho do Brasil entre 2004 e 2009. Além da constatação já conhecida de que a trajetória do mercado de trabalho caminhou rumo ao chamado pleno emprego, houve avanços em várias áreas, o que não quer dizer que os desafios para o Brasil tenham acabado. Longe disso, aliás.

Uma das dificuldades apontadas pela OIT é que, apesar de 90% dos novos empregos formais criados recentemente demandarem pelo menos o ensino médio completo, 40% dos trabalhadores da População Economicamente Ativa (PEA) não possuem nem mesmo o ensino fundamental.

A pesquisa confirmou que as mulheres labutam mais que os homens, somadas as horas trabalhadas no emprego e em afazeres domésticos. Elas ficam ocupadas cinco horas a mais que eles por semana (58 horas contra 52,9), embora o tempo dispendido pelo sexo masculino exclusivamente no emprego seja maior (43,4 contra 36).

Confira abaixo o que mudou no país.

Empregos

Entre 2003 e 2010 foram gerados 15,3 milhões de postos formais de trabalho, um aumento acumulado de 53,6% em um período de oito anos. A expansão ocorreu em todas as regiões e estados, com as regiões Norte (85,7%) e Nordeste (64,9%) sendo destaque.

Formalidade

A taxa de trabalhadores com carteira assinada evoluiu de 48,4% para 54,3% entre 2004 e 2009. Mas mantiveram-se desigualdades regionais: em São Paulo (69,1%) e Santa Catarina (68,8%), por exemplo, a proporção de trabalhadores com carteira assinada é muito maior que no Piauí (25,9%) e Maranhão (29,9%). A taxa de formalidade de trabalhadores negros cresceu de 39,6% para 46,8% no período, mas ainda é bem inferior a dos brancos (61,9%).

Domésticas

A Taxa de Formalidade das trabalhadoras domésticas foi de 28,6% em todo o país em 2009. Em nenhum estado alcançou 40%. São Paulo (38,9%), Santa Catarina (37,6%) e Distrito Federal (37%) estão na ponta superior, com Amazonas (8,5%), Ceará (9,3%) e Maranhão (6,7%) na outra.

Rendimentos

Houve grande aumento médio real no rendimento dos trabalhadores, que passou de R$ 896 para R$ 1.071 no período. E diminuíram as desigualdades de gênero e raça, embora ainda sejam expressivas: antes as mulheres ganhavam 69,4% do rendimento masculino, o que passou para 70,7 em 2009. Os trabalhadores negros passaram a receber 58% do rendimento dos brancos no mesmo ano, em comparação a 53% em 2004.

Previdência

A proporção de trabalhadores contribuindo para a previdência aumentou de 47,6% para 54,4% entre 2004 e 2009. Segundo a OIT, a expansão de quase sete pontos percentuais esteve associada ao crescimento do emprego formal e às diversas iniciativas de estímulo à formalização das relações de trabalho.

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