São Paulo – Morar em favelas, pelo menos no Rio de Janeiro, pode não ser tão ruim quanto parece para quem está de fora. Amparados por melhorias nos indicadores socioeconômicos, 85% dos jovens das comunidades cariocas disseram ao Data Popular que gostam do lugar onde moram. E 70% disseram que continuariam a morar na comunidade mesmo se a renda dobrasse.

Os resultados fazem parte de um levantamento do DataFavela , união entre o Data Popular e Celso Athayde, ex- dirigente da Central Única de Favelas (Cufa). E mostra um retrato não só do Rio de Janeiro, mas de todas as comunidades do Brasil.

É um contingente formado por 12 milhões de pessoas, cuja renda soma 56,1 bilhões de reais por ano, com uma maioria de membros da classe média

O que melhorou

Embora o conceito de classe média gere polêmica, segundo o Data Favela, hoje 65% dos moradores estão nesta faixa de renda, contra 37% em 2002.

Há 10 anos, apenas 4 em cada 10 moradores tinham celular. Hoje são nove. Computadores, tidos apenas por 3% dos moradores, agora estão em 40% dos lares.

A média de anos de estudo subiu, no mesmo período: foi de quatro para seis anos.

Segundo a pesquisa, os jovens têm papel preponderante na atividade econômica e na organização social das favelas.

São eles, por exemplo, que orientam os pais na aquisição de serviços, como TV por assinatura, e decidem as marcas de alimentos e o consumo de eletrônicos.

Visão otimista

A pesquisa incluiu levantamento qualitativo apenas no Rio de Janeiro. E a visão dos jovens mostrou-se otimista: 51% deles acham que a comunidade melhorou nos últimos dois anos, e 63% acreditam que vai continuar melhorando.

Mesmo assim, o preconceito ainda persiste, na visão deste grupo, fazendo com que 49% deles prefira não dizer onde vive.  

No Brasil, em números absolutos, São Paulo e Rio de Janeiro lideram entres os estados com mais pessoas morando em favelas.

Mas é na Região Norte, principalmente Amazonas, Pará e Amapá, onde uma maior parte da população vive em áreas sem completa infraestrutura urbana, ultrapassando 10% dos cidadãos.

Estudo Favelas

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