São Paulo – O Brasil experimenta hoje a sua pior crise econômica desde os anos 1990, mas até (bem) pouco tempo atrás, o país surfavava na crista da onda do bem-estar social. A má notícia: a boa maré já passou. 

Estudo recente do banco Itaú revela que entre 1993 e 2014 os índices de qualidade de vida melhoraram (e muito) no país.

 Em 2014, por exemplo, a parcela dos brasileiros que trabalhava mais de 45 horas por semana chegou a 25,3%. Uma queda substancial em relação a 1992, quando 39,1% trabalhavam demais. Foi há pouco mais de um ano, lá no longínquo 2014, que o mercado nacional registrou sua menor taxa de desemprego e foi quando a desigualdade de renda entre os gêneros atingiu sua menor marca.

De acordo com o economista do Itaú Unibanco, Caio Megale, a diferença média dos salários pagos a homens e mulheres tem caído progressivamente desde 1995. “Na década de 1990, o salário pago às mulheres era equivalente a aproximadamente 50% do salário pago aos homens”, diz. “Essa diferença tem diminuído significativamente, chegando a 70,4% em 2014”.

Foi a combinação de avanços como esses que levaram a um consistente crescimento do Índice de Bem-Estar Social proposto pelo banco.

No entanto, essa progressão está com os dias contados.

Segundo projeção dos analistas do banco, o quadro deve mudar tão logo as primeiras análises sobre o ano de 2015 saiam do forno. Pela primeira vez em uma década, a expectativa é de que o índice sofra uma contração - queda explicada basicamente pelo fraco desempenho econômico. 

A instituição ainda não tem uma previsão de quando lançará um novo estudo sobre o assunto. A seguir, você vê a progressão da qualidade de vida no Brasil até 2014. 

Itaú para EXAME.com

infográfico itau

Como é feito o índice

A estrutura que compõe o indicador de condições humanas avalia fatores como educação, saúde, saneamento básico, segurança, meio ambiente e tempo de lazer. Em linhas gerais, todos esses blocos foram impulsionados ao longo dos anos.Sobre os indicadores que medem as condições econômicas do país, o Itaú considera a conjuntura de emprego/desemprego e consumo da população. Neste, o crescimento ganhou fôlego a partir de 2003 e desacelerou em 2013.Por fim, o indicador de desigualdade social analisa a proporção da desigualdade de renda e gênero dos brasileiros.

 

Tópicos: Bem-estar, Dados de Brasil, América Latina, Crise econômica, Educação, Itaú, Bancos, Empresas, Empresas brasileiras, Saneamento, Saúde, Saúde no Brasil