São Paulo – Membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) teriam procurado autoridades de Londres para saber se a cidade poderia assumir mais uma Olimpíada devido aos atrasos na preparação da edição 2016 por parte do Rio de Janeiro. A informação é do jornal London Evening Standard, mas já se espalhou pela mídia britânica, como o The Telegraph.

Nesta sexta, o COI negou a possibilidade e disse que o boato não tem "qualquer fundamento e é totalmente impraticável".

Segundo o jornal – que, vale dizer, é um tabloide – uma consulta “informal” foi feita por dirigentes do comitê temerosos com os atrasos no Rio.

"Numa fase comparável de planejamento, em 2004 Atenas tinha feito 40% dos preparativos de infraestrutura, estádios e assim por diante. Londres tinha 60%. O Brasil fez 10% - e eles têm apenas dois anos de sobra. Então, o COI está pensando, 'qual é o nosso plano B’?”, teria afirmado uma fonte ao jornal.

O rumor da mudança surge logo após as críticas do vice-presidente do COI, John Coates.

Há menos de duas semanas, ele disse que os preparativos do Brasil para os Jogos de 2016 são "os piores" que ele já viu. Na ocasião, no entanto, Coates afirmou que não havia plano B.

Um dos organizadores que trabalhou com as Olimpíadas de 2012, Will Glendinning, afirmou ao Evening Standard que Londres teria tempo de se recompor para mais uma edição.

Na cidade, porém, vários dos palcos dos últimos jogos já foram transformados em arenas de acesso público. A vila onde ficaram hospedados os atletas, por exemplo, já tem moradores.

A questão é saber se a informação que está sendo replicada na imprensa britânica reflete uma possibilidade real ou se aparece apenas para fazer o Rio correr com os preparativos.

Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada hoje, Michael Payne, que esteve entre os diretores do COI por cerca de duas décadas e hoje é consultor, disse que o comitê vive uma crise.

“É, inquestionavelmente, e de longe, a organização mais atrasada entre todas as (Olimpíadas) anteriores. O COI enfrenta atualmente sua pior crise operacional nos últimos 30 anos. Não é uma opinião, é algo comentado e compartilhado por muitas pessoas de dentro da própria entidade”, afirmou Payne.

De qualquer forma, vale se restringir à matemática, mesmo que inexata: mesmo as fontes do jornal londrino reconheceram que as chances da mudança acontecer são “infinitamente pequenas”.

* Atualizada às 16h30 com resposta do COI

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