São Paulo - O Itamaraty decidiu que manterá a aprovação do candidato de pele branca e olhos verdes que se beneficiou das cotas raciais para passar na primeira fase do processo seletivo para a entrada no Instituto Rio Branco. O caso foi revelado nesta quarta-feira pelo jornal O Globo.

De acordo com o jornal, Mathias de Souza Lima Abramovic foi um dos 10 aprovados na primeira fase do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) dentro das cotas para afrodescendentes. Para que o candidato concorra às cotas, basta que se declare negro ou pardo, não havendo nenhum tipo de verificação.

Por ser uma prova muito concorrida - 6.490 pessoas brigam por uma das 30 vagas -, outros candidatos se sentiram prejudicados com a aprovação de Mathias, que preferiu não dar entrevista à reportagem do jornal.

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que manterá a aprovação do candidato, já que a “afrodescendência é declaratória” em seu processo seletivo, não havendo verificação ou punição prevista no edital do concurso para o candidato que possa agir de má-fé. De acordo com o Itamaraty, os candidatos que se sentirem prejudicados podem recorrer à Justiça.

O benefício é válido apenas para a primeira fase do concurso, que seleciona as 100 maiores notas para a segunda etapa. Segundo o jornal, Mathias ficou com nota final 47.50, quase dois pontos a menos que o último candidato aprovado sem a utilização das cotas.

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