São Paulo - Em nota divulgada à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores confirma que instruiu todos os diplomatas brasileiros a consultar o Itamaraty antes de aceitar o pedido de visto de Julien Blanc, acusado de incitar a violência contra a mulher em palestras sobre sedução. 

Segundo a nota, "já existem elementos suficientes que recomendam a denegação" do visto do coach executivo da Real Social Dynamics, especializada em treinar homens para conquistar o sexo oposto.  A empresa planeja fazer eventos em Florianópolis (SC) e no Rio de Janeiro (RJ) no final de janeiro de 2015. 

Na semana passada, Blanc teve seu visto revogado na Austrália após uma petição online no site Change.com o acusar de incitar “violência e abuso emocional contra as mulheres” em um seminário realizado na cidade de Melbourne.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, Scott Morrison, o ministro da imigração da Austrália, afirmou que o homem de 25 anos “não estava disseminando ideias políticas" e, sim, "abusos depreciativos" contra as mulheres que feriam os valores do país. 

Desde a última terça, uma petição online pede uma postura semelhante ao Itamaraty e Polícia Federal. Até às 17h desta quinta-feira, mais de 270 mil pessoas já tinham assinado o pedido.

Até agora, contudo, o Itamaraty informa que Blanc não entrou com pedido de visto. A nacionalidade dele ainda não foi confirmada, mas perfil em uma das páginas mantidas pela Real Social Dynamics afirma que ele é suíço. Cidadãos da Suíça não precisam de visto para entrar no Brasil. O Ministério das Relações Exteriores não se pronunciou sobre isso. 

A página da Real Social Dynamics também não indica que Blanc estará presente nos eventos que acontecem no Brasil. 

Veja a nota do Ministério das Relações Exteriores: 

"O Ministério das Relações Exteriores instruiu suas representações diplomáticas e consulares no exterior a consultar Brasília sobre eventual pedido de visto do senhor Julien Blanc. Até o momento, não há registro de pedido de visto. Caso uma solicitação de visto seja recebida por qualquer Embaixada ou Consulado no exterior, já existem elementos suficientes que recomendam a denegação. Para tanto, o Itamaraty acompanha o assunto em coordenação com o Ministério da Justiça e a Secretaria de Políticas para as Mulheres"