São Paulo – Desde 2012, bem antes do surto da zika explodir por todo Brasil, já existia um elevado número de casos de recém-nascidos com microcefalia. É o que afirma um boletim publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um grupo de pesquisadores, ligados à Fundação Círculo do Coração de Pernambuco e da Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, vasculharam 16,2 mil fichas de bebês nascidos entre janeiro de 2012 e dezembro de 2015  na região Nordeste, onde a incidência de microcefalia em 2015 foi maior.

O resultado do levantamento surpreende.

Nos últimos três anos, cerca de 1,2 mil bebês (até 8% do total analisado) nasceram com a má-formação  – uma média de 400 registros ao ano.

Hoje, o Ministério da Saúde investiga cerca de 3,8 mil casos suspeitos da doença – destes, 462 já confirmados.

Isso revela que o surto atual já é parte da realidade do brasileiro há um bom tempo. “É possível que as autoridades competentes tenham ignorado os casos leves e só tenham notificado os extremos”, diz a publicação. 

Contudo, Sandra Mattos, coordenadora da pesquisa e  presidente da Fundação Círculo do Coração, reconhece que houve um pico maior no número de casos a partir de meados de 2014.

A causa do surto pode ser explicada por alguns fatores, como as infecções virais de dengue e chikungunya, o consumo de medicamentos e vacinas no início da gestação que podem trazer danos à gravidez, a má nutrição da mãe, entre outros.

“Só podemos concluir que estamos diante de um problema de saúde novo e desafiador”, diz o texto.

No mapa abaixo, você vê as regiões mais afetadas pela doença.

O QUE VOCÊ NÃO PODE DEIXAR DE LER PARA ENTENDER O SURTO

Tópicos: Microcefalia, Doenças, Ministério da Saúde, Saúde no Brasil, OMS, Zika