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São Paulo – Na portaria do local onde as obras do estádio do Corinthians seguem em ritmo frenético, um dos seguranças comenta que São Jorge, padroeiro do clube, deve estar conversando todos os dias com São Pedro. “Não chove por aqui, graças a Deus. Se chover atrasa a terraplanagem. Isso nem em sonho”, diz, enquanto acompanha o entra-e-sai de pessoas e carros.
Dos portões para dentro, a agitação continua, e a torcida pela obra também. A exatos mil dias da Copa do Mundo de 2014, 430 operários da construtora Odebrecht trabalham na estrutura do estádio que é forte candidato a sediar a abertura da competição. Nos próximos dois meses, mais 350 trabalhadores vão chegar ao canteiro de obras em Itaquera, zona Leste da cidade de São Paulo. (Veja no gráfico da última página o perfil dos trabalhadores do Fielzão.)
À medida que as primeiras estacas traçam o contorno do que será um dos setores da arquibancada, dá para sentir a empolgação de um dos envolvidos na façanha. “Nunca na vida pensei que ia trabalhar construindo um estádio para o meu Timão”, confessa o carpinteiro José de Anchieta, de 51 anos.
Já era hora, aliás. Ele diz que não aguentava mais a zombaria dos amigos. “Ficavam dizendo que o Corinthians não tinha estádio. Agora eles vão ver. Vamos mostrar para todo mundo, já estamos fazendo”, diz Anchieta. Carpinteiro há 33 anos, o corintiano, que veio do interior da Paraíba, sonha em se aposentar com a obra no currículo. “Depois vai ser só sombra, água fresca, e assistir aos jogos do Timão.”
Anchieta torce pelo clube, participa das obras do estádio, mas não tem camisa do Corinthians. Até pediu para o presidente Andrés Sanches. “Faz tanto tempo, nem me lembro. Mas ainda não ganhei. Quando ele vier aqui de novo, eu vou cobrar”, diz. Tal é o envolvimento de Anchieta com o estádio do seu time que, para ele, ser torcedor é requisito no processo seletivo. “Se o cara não for corintiano, aqui dentro ele vira”, garante.
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