São Paulo – Há dois anos e meio à frente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do Governo Federal – instância criada dentro da administração Dilma para melhorar a governança pública do país – o empresário Jorge Gerdau deu hoje a sua nota para qualidade da administração pública nacional: qualquer coisa entre 3 e 4.

Com ele, concordaram todos os demais debatedores presentes no EXAME Fórum, que ocorre hoje na capital paulista para discutir formas de aumentar a produtividade brasileira. Uma questão que perpassa, inevitavelmente, pela qualidade dos serviços públicos.

Segundo Gerdau, o quadro não é nada animador nos 39 ministérios do Governo Dilma. Quase todos foram analisados pela Câmara para saber o nível de unidade sobre objetivos e planos de longo prazo.

“No setor privado, querendo ou não, o sistema de governança é quase diariamente debatido. Mas em quase nenhum desses 39 ministérios nós sabemos onde queremos chegar”, afirmou o empresário.

Gerdau não estava sozinho em seu diagnóstico desolador, mas outros debatedores lembraram que há algumas (poucas) razões para não perder a esperança.

“Existem ilhas de boas práticas dento do governo. Precisamos buscar o que tem de bom e replicar isso. Queremos um projeto de governança para o Estado brasileiro a médio e longo prazos”, afirmou o presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes.

Travas ao desenvolvimento
O chefe do TCU aproveitou a discussão para rebater as acusações feitas por membros do governo federal de que o Tribunal é parte do problema na baixa execução de obras no Brasil.

Segundo ele, por exemplo, das 1.153 obras conduzidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em certo período, apenas seis foram paralisadas pelo TCU.

“Fizemos levantamento que 53% das obras não têm projeto básico e executivo. Culpar o TCU é buscar um bode expiatório sobre o problema da gestão. É esse o grande nó para o desenvolvimento do Brasil hoje”, opinou Nardes.

Uma das soluções para destravar a execução de obras no país seria pagar pelo resultado, e não pela construção. A avaliação é do Professor da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Jerson Kelmam.

“O poder público tem que entrar de forma mais eficiente para pagar a obra. Hoje, há um incentivo que ela nunca termine e saia mais cara que o necessário. Mas se ele (o empreiteiro) tiver estímulo para entregar, é outra história”, afirmou o professor.

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