São Paulo – Documentos de investigações da Polícia Federal (PF) de 2007 revelam que o doleiro, Norbert Muller, repassou pelo menos 32 mil dólares para uma conta secreta em nome da família do senador Aécio Neves no LGT Bank de Liechtenstein, paraíso fiscal. 

Segundo as informações coletadas pela revista Época, em fevereiro de 2007 a PF investigava Muller e sua mulher, Christine Puschmann, suspeitos de chefiar uma das mais secretas e rentáveis centrais bancárias clandestinas do Brasil. O serviço oferecido pelo casal consistia em criar contas em bancos estrangeiros no mais absoluto sigilo. 

De acordo com a publicação, entre os 75 “clientes” encontrados pela polícia estava “Bogart e Taylor” – nome escolhido pela mãe e sócia de Aécio para batizar a fundação que, segundo ela, destinaria recursos para a educação de seus netos. 

Na época, a PF não identificou declaração de existência da fundação e da conta bancária à receita federal ou ao Banco Central. 

Procurados pela reportagem da Época, os advogados da família Neves confirmaram que a mãe de Aécio pretendia criar a fundação, mas que a conta no LGT foi aberta sem o conhecimento da família.

Na delação de Delcídio do Amaral, homologada na tarde de ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador cita a conta secreta. 

“Aécio Neves era beneficiário de uma fundação sediada em um paraíso fiscal, da qual ele seria dono ou controlador de fato. Essa operação financeira teria sido estruturada por um doleiro do Rio de Janeiro e não se pode afirmar se há relação entre essa fundação e o mensalão mineiro”, diz a delação de Delcídio. 

A investigação foi arquivada pelo Ministério Público. Segundo a reportagem, o MP fez a ressalva que, em caso de novas provas, reabriria o caso. 

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