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Comércio | 09/06/2012 18:04

Empresas lucram com produtos apreendidos na Alfândega

Em leilões promovidos pela Receita, pessoas físicas têm acesso restrito, enquanto empresas arrematam suprimentos para revender no mercado interno

Ana Clara Costa, de

Vanderlei Almeida/AFP

Aeroporto

Um conjunto de companhias especializou-se em aproveitar os leilões de mercadorias apreendidas em portos e aeroportos

São Paulo - O aumento da fiscalização de importados nos portos e aeroportos – que tem causado transtornos a empresas e cidadãos brasileiros – vem beneficiando outros participantes do mercado, além do próprio Fisco. Um conjunto de companhias especializou-se em aproveitar os leilões de mercadorias apreendidas pelo órgão para comprar os produtos e revende-los no país a preços abaixo da média.

Em 2012, a Receita Federal realizou 22 certames, que resultaram numa arrecadação de 26,4 milhões de reais para o governo. Isso significa que, por exemplo, um macacão de bebê da marca Ralph Lauren que custou 20 dólares e que foi apreendido na mala de um casal que voltava de Miami pode parar num site de comércio eletrônico, onde é oferecido pelo dobro (ou triplo) do preço – e ainda assim custar menos que o valor médio praticado no país.

A empresa Ipcal, sediada no Brás, região central da capital paulista, se autointitula em sua página na Internet como a “principal cliente da Receita Federal e a maior arrematante de leilões do país”. Entre os objetos que comercializa estão máquinas destinadas a supermercados, como empacotadoras, peças automotivas e utensílios domésticos – tudo arrematado junto ao Fisco. Apesar de não fazer vendas pela Internet, a Ipcal atende seus clientes por telefone e também em sua loja física.

Já a Arrematados.com, com sede no bairro Macuco, em Santos (SP), disponibiliza variados tipos de produtos – desde bijuterias e brinquedos, passando por artigos eletrônicos, até máquinas e material hospitalar – a clientes previamente cadastrados. Em seu portal, onde se apresenta como uma “empresa especializada em produtos arrematados em leilões da Receita Federal com ótimos preços”, é possível dar lances pelos produtos. Procurados pela reportagem, os responsáveis pelas companhias não retornaram o pedido de entrevista ou recusaram-se a falar.

Só para especialistas – Assim como a Ipcal e a Arrematados.com, outras firmas – muitas delas com CNPJ de companhia de importação e exportação – especializaram-se em comprar lotes em leilões da Receita e fazer a revenda no mercado interno.

A lógica do negócio exclui amadores. Os preços mínimos dos certames já embutem os impostos do comércio exterior. É preciso ser um bom negociador para levar os lotes a um preço baixo o bastante para competir em condições vantajosas no mercado interno. Além do lance, o vencedor ainda tem de arcar com o ICMS do estado onde a mercadoria foi leiloada e o frete para envio da mesma ao local de recebimento. 

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