São Paulo - A presidente Dilma Rousseff afirmou, no início da tarde desta sexta-feira, 25, durante anúncio no Palácio dos Bandeirantes, de investimentos de R$ 5,4 bilhões em recursos do PAC da Mobilidade, que não é possível aceitar que "esse Brasil dinâmico tenha uma perda na vida dos habitantes nas atividades de ida e volta para casa". "Não podemos deixar que a imagem de São Paulo se associe à da dificuldade de trânsito", reiterou.

Dilma considerou que há "um déficit histórico do Brasil" pela ausência de política de mobilidade coordenada nos três níveis do governo. Nas décadas passadas, o metrô era inadequado pelo custo, segundo a presidente, lembrando do avanço nos investimentos recentes. "Em 2005 recebi no meu gabinete um funcionário que comemorava os R$ 500 milhões de investimento em saneamento", disse a presidente.

No discurso, ela voltou a provocar o Fundo Monetário Internacional (FMI), que nesta semana alertou sobre a economia brasileira. "Foi bom ter pagado a dívida com o Fundo Monetário que não supervisiona mais as nossas contas".

A presidente também citou a parceria com os outros entes de governo, que permite que prefeitos, presidente e governo do Estado tenham ação coordenada e comum para atacar um dos mais graves problemas que é a mobilidade urbana.

"Reconhecer esse problema mostra que as autoridades convergiram para um projeto comum", afirmou, destacando: "Temos decisão política de participar juntos de esforços dos prefeitos."

Dilma considerou que investir no metrô é "absolutamente essencial", porque garante transporte sem interrupção do trânsito com escoamento rápido e seguro. "Metrô é o grande eixo de integração de modais, principalmente em áreas conturbadas e adensadas".

A presidente afirmou que os investimentos fazem parte do amadurecimento do País e caminham no sentido de abandonar "o complexo de vira-lata", citando o escritor Nelson Rodrigues sobre o pessimismo antes da Copa de 1970, vencida pelo Brasil.

"Esse complexo tem de ser superado no caso dos transportes que hoje reconhecemos ser estratégico para o País. É estratégico o investimento em mobilidade urbana", disse. "É obra de alto custo e exigem parceria e ação coordenada", completou, lembrando do financiamento que viabiliza as obras. "São juros subsidiados pelo Tesouro Nacional. Sem ter esse tipo de financiamento não sai obra de longo prazo no Brasil."

Ainda segundo ela, os recursos totais para a área chega a R$ 21 bilhões. "Estamos construindo, renovando 2.257 quilômetros de vias para transporte em todo o País.Eo governo vai investir R$ 140 bilhões em mobilidade urbana no total."

Cordialidade

Em clima de cordialidade, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que ao "histórico de boa parceria com o governo federal e a presidente Dilma fortalece a democracia", durante a cerimônia no Palácio dos Bandeirantes.

"Quero agradecer a presidenta Dilma, os ministros, os nossos secretários, a Assembleia Legislativa e dizer que o fortalecimento do bem comum é difícil ter algo mais forte que a mobilidade que faz o máximo para o maior número de pessoas", completou.

Alckmin disse que a "boa parceria em benefício da população" no projeto foi precedida por outras já feitas com o governo federal. Ele citou a erradicação da miséria no Estado, do Rodoanel Norte e Leste, este último previsto para ser inaugurado em abril, além dos investimentos na hidrovia Tietê-Paraná em habitação.

"Essa nova parceria é fundamental e queria destacar a inflexão do uso do Orçamento Geral da União, porque São Paulo é a quarta maior cidade do mundo", disse o governador, citando os trechos do Metrô que sairão da capital.

Segundo ele, São Paulo tem 54 quilômetros de metrô e outros 234 de trens, com 90 quilômetros a mais que a Cidade do México, mas que transporta o dobro da capital mexicana, ou 8 milhões de passageiros. "Vamos ter sete linhas simultâneas em obra, o que nos fará dobrar a capacidade de transporte", concluiu.

Desafio

O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, avaliou, durante a mesma cerimônia, que São Paulo é o grande desafio para a mobilidade urbana no País, por conta da população elevada e principalmente pelo vácuo nos investimentos na área pelo poder público.

Temos hoje um pacote de mobilidade urbana de R$ 93 bilhões de reais em contratação e execução. "Outros R$ 52 bilhões estão sendo alocados e tornam o pacote um dos maiores investimentos em mobilidade urbana do mundo", disse.

Ribeiro citou ainda a sanção pela presidente Dilma do Plano Nacional de Mobilidade Urbana e as desonerações feitas pelo óleo diesel, os salários e a energia elétrica como medidas tomadas pelo governo. Saudou a parceria com o governo estadual "de forma republicana, independente de partidos, olhando para o cidadão".

Parceiros

O prefeito da Capital, Fernando Haddad (PT), afirmou, logo depois da fala do ministro das Cidades, que São Paulo fechará o ano com 300 quilômetros de corredores de ônibus. "Estamos tomando a decisão que as cidades mais desenvolvidas do mundo tomaram", disse o prefeito, que também citou o governador Geraldo Alckmin e, assim como o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, chamou-o de "parceiro" na decisão dos investimentos.

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