O ano legislativo de 2015 foi considerado muito melancólico para diversos parlamentares, notadamente aqueles que não integram tanto a base aliada quanto a oposição plena no Congresso Nacional.

Um deles é o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ex-integrante do PSOL, ele esteve envolvido em algumas iniciativas que, por tanto incomodar alguns setores, chegaram a empurrá-lo para a Operação Lava Jato.

Em dezembro, foi noticiado que a delação premiada de Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, que trabalhava como entregador de dinheiro para Alberto Youssef, conteria o nome de Randolfe como um ‘beneficiário’ do esquema de corrupção. Ceará disse ter ouvido que o doleiro havia feito o repasse de R$ 200 mil ao senador, o que foi negado por Youssef. Assim, o ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, determinou o arquivamento da petição que poderia resultar em uma investigação contra Rodrigues.

“A corrupção atingiu índices épicos no Brasil, lamentavelmente. Mas é importante dizer que ela não foi inventada pelo PT, ela já existia antes. O Congresso não tem avançado neste tema que é o combate à corrupção, porque aqui encontra um cumpliciamento justamente com a corrupção”, disse o senador da Rede, em entrevista ao HuffPost Brasil. Quanto à citação na Lava Jato, ele prometeu “ir até as últimas consequências” por uma reparação.

Parte do incômodo que Randolfe causa a outros parlamentares está no fato de ele ter exposto a sua intenção em pedir a cassação de todo senador que vier a ser indiciado pela Lava Jato – um colega de legislatura, o petista Delcídio do Amaral (MS), continua preso e ainda corre o risco de ser cassado pelo Conselho de Ética do Senado.

Outros, como o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), também são alvo das investigações da operação.

‘Balcão de negócios’

Mais do que a conduta de certos senadores, só mesmo as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) mexem com o humor de Randolfe. Ele integra ou integrou pelo menos duas comissões que tinham o combate à corrupção como meta: a CPI do HSBC e a CPI do Carf. Em ambas, os resultados ficaram aquém do esperado até o momento (a segunda já foi concluída), o que para ele indicou a existência de uma ‘plataforma de negócios’.

Mais do que a conduta de certos senadores, só mesmo as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) mexem com o humor de Randolfe. Ele integra ou integrou pelo menos duas comissões que tinham o combate à corrupção como meta: a CPI do HSBC e a CPI do Carf. Em ambas, os resultados ficaram aquém do esperado até o momento (a segunda já foi concluída), o que para ele indicou a existência de uma ‘plataforma de negócios’.

“Do ponto de vista do Congresso o ano de 2015 foi uma lástima. Na Câmara, o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não teve legitimidade nenhuma para tocar qualquer procedimento de investigação. O Senado não ficou atrás, a CPI do HSBC prometia, mas houve uma enorme prática de buscar um acordo, pressionado pelo poder econômico. A do Carf foi a mesma coisa, não profundamos na questão de compras de medidas provisórias. As CPIs no Congresso, a maioria dos escândalos das duas Casas, se transformam em plataforma de negócio para alguns.”

Na semana passada, após a entrevista concedida ao HuffPost Brasil, Randolfe mostrou-se mais animado com os rumos da CPI do HSBC, que a princípio não chegaria a 30 de abril, data prevista para o término dos trabalhos – uma antecipação do fim da comissão havia sido aprovada em dezembro. O motivo: a Justiça da França permitiu o acesso a toda a documentação referente aos correntistas da filial do banco em Genebra, na Suíça.

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“Agora a CPI tem tudo para avançar nas suas investigações e para ter conclusões eficazes. Primeiro, confirmaremos os brasileiros que tinham contas nessa agência. Segundo, vamos apurar quais dessas contas poderiam ser irregulares em relação à legislação brasileira”, afirmou o senador da Rede à Agência Senado.

No chamado Swissleaks, foi revelado que mais de oito mil brasileiros possuem ou possuíram contas no banco em terras suíças, com a suspeita de até US$ 7 milhões enviados do Brasil sem prestação de contas.

Com as informações, pelo menos uma CPI pode tentar quebrar a lógica criticada pelo senador. “Fui procurado por pessoas que estavam sendo investigadas, houve muita pressão para que esta CPI fosse encerrada. Chegamos a votar pela quebra de sigilo dessas pessoas, para depois suspendermos essa decisão. Alguém se deu bem, alguém negociou essa pressão e ninguém me convence que foram os interesses da sociedade”, emendou Randolfe.

Além da CPI do HSBC, o senador é um dos líderes da CPMI das Armas, que promete investigar o alto índice de homicídios no Brasil e de quem são os interesses por trás da pressão pelo afrouxamento do Estatuto do Desarmamento, este perto de ser levado ao plenário da Câmara dos Deputados, antes de chegar ao Senado.

O parlamentar ainda promete buscar assinaturas para uma outra CPMI, que trate da venda de medidas provisórias. Sem ‘acabar em pizza’, ele espera. “Aqui as organizações de pizzas costumam ser suprapartidária, sem fazer distinção de quem é governo e de quem é oposição”, ironizou.

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