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Fernando Henrique Cardoso: o tucano voltou a dizer que, em sua avaliação, os réus do mensalão praticaram crimes, mas que não cabe a ele julgá-los
São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, na manhã desta terça-feira, acreditar que, se houver condenação dos réus do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), há um risco de o episódio manchar os oito anos de governo Luiz Inácio Lula da Silva. "Acho que sim", respondeu diretamente. Ao contrário do que espera para a imagem do legado do ex-presidente Lula, FHC acha que o mensalão não atinge a presidente Dilma Rousseff.
O ex-presidente participou do Seminário Internacional em Busca da Excelência, promovido pelo Fundo Nacional da Qualidade (FNQ), em São Paulo. Após palestra, FHC lembrou que o julgamento do mensalão não "cola" na popularidade da presidente Dilma Rousseff, que continua em alta. "A razão é óbvia: o povo está achando que ela está direita, contrária às posições antigas do PT", avaliou.
O tucano voltou a dizer que, em sua avaliação, os réus do mensalão praticaram crimes, mas que não cabe a ele julgá-los. "Não sei se devem condenar, não sou juiz", afirmou. No entanto, o ex-presidente enfatizou que o julgamento do mensalão é um momento importante para o País e que, por essa razão, é preciso que os ministros do STF justifiquem seus votos, seja para condenar ou para absolver os réus. "Veja a pesquisa (Datafolha): as pessoas estão acompanhando e não acreditam que dê em alguma coisa. É preciso que dê em alguma coisa. Não estou dizendo 'condena todo mundo' ou 'absolve todo mundo'. É preciso que dê em um julgamento em que as pessoas entendam as razões pelas quais o juiz condenou ou não", pregou.
Durante sua palestra, o ex-presidente falou sobre os desafios da educação no País e criticou o projeto que prevê a utilização de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, por entender que o que é hoje aplicado é suficiente para a rede pública de ensino. FHC também criticou a política de cotas raciais nas universidades referendada pelo STF. Segundo ele, é preciso um sistema compensatório mas que não crie uma ideologia racista no País. "Nós vamos valorizar o conceito de raça?", questionou. "Divisão baseada em raça não dá bom resultado", concluiu.
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