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São Paulo – O brasileiro se orgulhava dos seus pratos típicos, das mesas cheias de frutas e dos corpos malhados correndo nas orlas. Isso é passado. Hoje a garota de Ipanema tem sobrepeso e come rapidamente um lanche de fast food enquanto trabalha.
Não que seja muito difícil estar com sobrepeso. Basta estar com um índice de massa corporal (IMC) acima do 25. Para se ter uma ideia, uma mulher que meça 1,61m e pese 65kg já está com sobrepeso, de acordo com os padrões médicos adotados pela Organização Mundial de Saúde. Um homem que meça 1,73m e pese 75kg, também. Para obesidade, o IMC é igual ou maior a 30.
Mas o que gerou essa mudança? Há explicações óbvias, como a de que o país está simplesmente acompanhando uma transição global: “Há um processo global de sair de um perfil de desnutrição para o de excesso de peso”, explica a médica Deborah Malta, diretora de Análise de Situação de Saúde do Ministério da Saúde.
Ela conta que a mudança na alimentação e o sedentarismo são as grandes causas do excesso de peso do brasileiro (e de qualquer nacionalidade). “Apenas 30% da população brasileira pratica atividades físicas com regularidade. 16% da população é completamente inativa – não se movimenta nem para pegar um ônibus ou fica o dia todo sentado”, diz a médica.
Outras explicações para a gordura do povo brasileiro são menos óbvias, mas mais aparentes para quem olhar as cidades do país. “Há um problema no desenho das cidades brasileiras”, conta Deborah, “Elas não foram criadas pensando nas pessoas, mas sim nos carros”.
É só pensar que, enquanto no Brasil metade da população é “gordinha”, na Dinamarca (um dos países com mais ciclovias no mundo), esse índice cai para 37%. “Incorporar atividade física no cotidiano, mesmo para quem não tem tempo, faz diferença. Investir em ciclovias, transporte público e adequar a cidade à mobilidade das pessoas é importante”, diz a médica.
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