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Urna eletrônica: segundo especialistas, muitos pais dão nomes de famosos aos filhos para compensar a situação de falta de dinheiro e de baixo status social
Rio de Janeiro - John Kennedy, Frank Sinatra e Dante Alighieri têm em comum um importante compromisso no Brasil no dia 7 de outubro deste ano, embora em estados diferentes: Maranhão, Minas Gerais e Alagoas, respectivamente.
Homônimos de personalidades do mundo da música e das artes, os três e vários outros "quase famosos" são alguns dos 15.452 candidatos a prefeito de um dos 5.566 municípios do país onde haverá eleições nesta data, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
John Kennedy Abreu Sousa é candidato em Igarapé do Meio (MA), Frank Sinatra de Souza Bernardes concorre em Capetinga (MG) e Dante Alighieri Bezerra de Menezes disputa votos em Piranhas (AL).
O pleito também conta, por exemplo, com "xarás" de ex-presidentes dos Estados Unidos. Em Codajás, no Amazonas, os eleitores terão a possibilidade de votar em Abrahan (com n) Lincon (sem l) Dib Bastos. Em Boa Vista do Ramos, no mesmo estado, Jimmi (com i) Carter Santarém Barroso é um dos candidatos.
Entre os que concorrem à Prefeitura de Araguanã (TO) está Chiang Kai Xeque Braga Barroso, cujo nome remete ao político e militar chinês Chiang Kai-shek. No município de Luis Gomes (RN), o candidato Pio X Fernandes dificilmente não foi batizado em homenagem ao 257º papa católico, e na disputa em Vila Flor (RN), a mesma situação se aplica a Cezanne Augusto Nunes Tomaz em relação ao pintor pós-impressionista francês Paul Cézanne.
Outros casos que chamam a atenção são os de Alexander Fleming Vasques Bastos, que não descobriu a penicilina, mas quer ser o prefeito de Maceió (AL), e Dartanhã Luiz Vecchi, não o mosqueteiro, mas candidato em Caseiros (RS).
O professor Antonio Elias Lima Freitas, doutor em Linguística da Universidade de São Paulo (USP) e um dos diretores do Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos, explica que o costume de muitos pais de dar a seus filhos nomes como estes geralmente está relacionado a fatores sociais e culturais.
"Muitas pessoas, para compensar uma situação na qual faltam dinheiro ou status social, dão a seus filhos esses nomes para que, de alguma maneira, possam se destacar", disse o acadêmico à Agência Efe.
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