Na corda bamba

São Paulo – O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou hoje (3) denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), no âmbito da Operação Lava Jato. O plenário analisou envolvimento do deputado no escândalo pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, formalizou a denúncia em agosto passado por conta do suposto recebimento de US$ 5 milhões por parte de Cunha pela facilitação e garantia de vantagens indevidas na contratação de navios-sonda para a estatal.

Por unanimidade, o Supremo definiu um recorte temporal na denúncia para aceitá-la parcialmente. Para o relator Teori Zavascki, até o ano de 2011, os indícios apresentados pelo MPF para aceite da denúncia são baseados apenas nas delações premiadas de Julio Camargo e Fernando Baiano, sem provas que corroborem com as suspeitas. Dali em diante, Cunha será julgado.

Em paralelo, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar aceitou na madrugada de ontem (2) o relatório pedindo abertura do processo de cassação de Cunha por quebra de decoro parlamentar. O presidente da Câmara teria omitido quatro contas no exterior, que foram posteriormente descobertas pelo Ministério Público Federal.

Apesar de se tratar do momento de maior constrangimento para a carreira parlamentar e do clamor popular por sua saída, Cunha já declarou a jornalistas que não pretende renunciar à presidência da Casa, muito menos ao mandato.

Enquanto as denúncias vão se aprofundando, fica a dúvida: com tantos processos, Cunha cai ou não?

EXAME.com consultou especialistas com opiniões divergentes com relação às consequências dos recursos sobre os ombros do parlamentar. Um acredita que este foi seu último suspiro, outro crê que o “sangue frio” de Cunha o manterá no cargo até as últimas consequências.

Veja na sequência as análises e tire suas conclusões sobre o caso.

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