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Brasília - O Brasil sofre o efeito colateral da prosperidade econômica, com um consumo disparado de cocaína e de derivados que o levou a direcionar a repressão do tráfico às fronteiras, para tentar combater a entrada de drogas vindas de Bolívia, Peru e Colômbia, os maiores produtores do planeta.
Enquanto na região cresce o debate sobre a legalização do consumo de drogas, o governo de Dilma Rousseff embarcou em uma nova estratégia militar e policial de perseguição ao narcotráfico que parte dos limites do território nacional, entra nas diversas regiões do país e chega às cidades, onde pequenos e médios traficantes lotam as prisões.
"Nosso país está crescendo economicamente e, quanto maior a renda, maior o consumo de drogas. No sul e sudeste do Brasil se concentra 60% da população e 75% do PIB brasileiro, e é nessa região onde mais cocaína é consumida", afirma à AFP Oslain Santana, chefe do combate ao crime organizado da Polícia Federal.
Em números absolutos, o Brasil é considerado, atrás dos Estados Unidos, o segundo consumidor mundial de cocaína e crack, um derivado altamente viciante de baixo custo que se espalha como epidemia (entre 2003 e 2010 o número de dependentes químicos aumentou dez vezes), segundo o governo,
Estima-se que 1% da população brasileira, de 191 milhões de habitantes, consuma cocaína ou crack. E 90% da droga entra através de Bolívia e Peru, enquanto os 10% restantes saem da Colômbia. Já o Paraguai cobre 80% da demanda de maconha, segundo a Polícia Federal.
O plano contra as drogas, que combina a mão de ferro contra o tráfico com o atendimento médico a dependentes, envolve ações conjuntas entre as polícias de Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Paraguai, Uruguai, e espera-se que, em pouco tempo, a Venezuela participe.
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