São Paulo – Na fronteira com o Peru, a cerca de 300 quilômetros de Rio Branco (AC), está Santa Rosa do Purus – o município com o pior desempenho no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal 2015.

Em uma escala 0 a 1, Santa Rosa do Purus (AC) pontuou 0,2763 – nota 20% menor do que o penúltimo colocado, Barcelos (AM), município que ficou com 0,3433 de nota.

O desempenho pífio de Santa Rosa dos Purus não é novidade no ranking: em todas as edições do levantamento, o município figurou entre as 100 piores cidades do Brasil.

Três indicadores explicam o baixo desenvolvimento.

Por lá, apenas 16% dos professores possuem ensino superior – no Brasil 79% dos docentes tem esse tipo de diploma. Some-se a isso o fato de que apenas 7,9% das grávidas fazem pré-natal. Com um IDH de 0,517 (considerado baixo pela ONU), a cidade ainda sofre com um mercado de trabalho estagnado.

Em contraste, Extrema (MG), a primeira do ranking, ostenta uma nota de 0,9050. O resultado não é por menos. A cidade possui um mercado de trabalho com capacidade para empregar 65,7% de sua população em idade ativa – o dobro da proporção média do país.

Extrema também erradicou o abandono escolar no Ensino Fundamental e possui um IDEB médio de 6,1 – enquanto a média do país é de 4,5.

Do método
O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal varia de 0 a 1: quanto mais próximo de 1, melhor é o desenvolvimento da cidade.

A nota é calculada segundo a análise de três conjuntos de indicadores.

Em Emprego e Renda, o índice leva em conta o quanto a cidade gera de empregos formais, sua capacidade de absorver a mão de obra local, quanto de renda formal é gerada, os salários médios e a desigualdade social.

Já em Educação, a Firjan analisa o número de matrículas na educação infantil, a proporção de estudantes que abandonam o ensino fundamental, além da distorção idade-série, o número de professores com ensino superior, a média de aulas diárias e o resultado do Ideb no ensino fundamental.

O índice Saúde é calculado, por sua vez, com base no número de consultas pré-natal, óbitos por causas mal definidas, óbitos infantis por causas evitáveis e número de internações sensíveis à atenção básica (ISAB).

Em 2013, o IFDM Emprego e Renda recuou 4,3% e ficou com 0,7023 pontos, a menor nota desde a crise de 2009. Já a área de Educação avançou 2,8% com relação a 2012 e ficou em 0,7615. Os indicadores ligados à Saúde ficaram em 0,7684 - um crescimento de 1,9% em relação ao ano anterior.

Índice Nível de desenvolvimento
IFDM entre 00, 0,4 baixo estágio de desenvolvimento
IFDM entre 0,4 E 0,6 desenvolvimento regular
IFDM entre 0,6 e 0,8 desenvolvimento moderado
IFDM entre 0,8 e 1 alto estágio de desenvolvimento

Cerca de 60,3% das cidades analisadas tiveram um desempenho considerado moderado no ranking. Apenas 431 municípios possuem um índice de desenvolvimento considerado elevado pelo estudo – ou o equivalente a 7,8% do total analisado.

As cidades que você vê nesta lista se aninham na pior faixa do ranking - que vai de 0 a 0,4. São 53 no total.  Todas estão nas regiões norte e nordeste.

A maior parte delas fica na Bahia - que detém também o topo na lista de estados com maior número de municípios com baixo desenvolvimento.Das 500 cidades com pior desempenho no índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, mais de 170 são baianas. Veja as 53 com pior nota. 

UF Município IFDM Emprego & Renda Educação Saúde
AC Santa Rosa do Purus 0,2763 0,1973 0,4119 0,2195
AM Barcelos 0,3433 0,2722 0,6245 0,1332
PA Portel 0,3483 0,1352 0,4519 0,4576
MA Pedro do Rosário 0,3509 0,3385 0,5156 0,1985
AM Santa Isabel do Rio Negro 0,3521 0,2583 0,5354 0,2625
MA Marajá do Sena 0,3564 0,3223 0,5061 0,2409
MA Primeira Cruz 0,3586 0,1912 0,4990 0,3856
PA Porto de Moz 0,3589 0,3266 0,3115 0,4387
PA Jacareacanga 0,3614 0,3717 0,3669 0,3457
BA Gongogi 0,3628 0,2422 0,5068 0,3393
PA Bagre 0,3633 0,1248 0,3839 0,5813
BA Caatiba 0,3645 0,2971 0,4661 0,3302
AM São Gabriel da Cachoeira 0,3705 0,4164 0,5492 0,1460
BA Irajuba 0,3733 0,2057 0,5359 0,3783
MA Arame 0,3749 0,2870 0,4280 0,4098
MA Cajari 0,3749 0,2750 0,4728 0,3770
PA Nova Esperança do Piriá 0,3753 0,3080 0,4887 0,3292
MA Turiaçu 0,3754 0,2213 0,5496 0,3553
PA Ipixuna do Pará 0,3755 0,2635 0,4910 0,3721
BA Morpará 0,3783 0,2784 0,5030 0,3534
BA Arataca 0,3792 0,3908 0,4361 0,3107
PA Gurupá 0,3812 0,3976 0,3644 0,3814
AM Ipixuna 0,3813 0,3276 0,5027 0,3136
BA Nova Canaã 0,3814 0,3803 0,5166 0,2474
BA Santa Luzia 0,3816 0,4170 0,3862 0,3415
AM Beruri 0,3826 0,1903 0,4408 0,5168
AL Água Branca 0,3828 0,2523 0,5675 0,3286
BA Ubatã 0,3831 0,2379 0,5314 0,3800
AP Amapá 0,3832 0,2493 0,5679 0,3324
AC Porto Walter 0,3835 0,2992 0,4655 0,3858
PA Aurora do Pará 0,3845 0,2543 0,5035 0,3956
BA Piritiba 0,3846 0,2945 0,5727 0,2867
BA Cansanção 0,3855 0,3102 0,4996 0,3466
AM Maraã 0,3868 0,3501 0,4849 0,3254
BA Pilão Arcado 0,3870 0,3486 0,4479 0,3645
PA Limoeiro do Ajuru 0,3871 0,3771 0,5446 0,2396
MA São Bento 0,3889 0,1647 0,5174 0,4847
BA Aurelino Leal 0,3892 0,3136 0,4793 0,3745
PB Conceição 0,3916 0,1905 0,5347 0,4497
BA Novo Triunfo 0,3930 0,3534 0,4393 0,3864
AM Tonantins 0,3936 0,1033 0,5838 0,4938
BA Ibirapitanga 0,3936 0,3730 0,5230 0,2848
MA Palmeirândia 0,3951 0,2397 0,5153 0,4305
BA Itambé 0,3955 0,4112 0,5380 0,2371
MA Cândido Mendes 0,3955 0,2675 0,6323 0,2867
BA Itaju do Colônia 0,3966 0,4006 0,5048 0,2842
PA Tracuateua 0,3969 0,2899 0,5106 0,3902
BA Itapicuru 0,3988 0,4340 0,4614 0,3010
AP Calçoene 0,3988 0,1830 0,6109 0,4025
BA Anagé 0,3990 0,3734 0,5330 0,2906
MA Monção 0,3991 0,2515 0,5223 0,4234
BA Itamari 0,3995 0,3909 0,4673 0,3403
PA Muaná 0,3996 0,3485 0,4197 0,4305

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