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Violência | 23/06/2012 16:34

Arrastões em bares e restaurantes afastam 20% dos clientes

Ataques a um dos espaços mais tradicionais de lazer do paulistanos crescem a cada mês, mas continuam sendo tratados como casos menores pela polícia paulista

Valmar Hupsel Filho, de

VEJA São Paulo

Bráz se destaca entre as pizzarias

Pizzaria Bráz: restaurante tradicional já foi alvo de arrastão na capital paulista

Última quarta-feira, 20 de junho, por volta de 1h30. Faltava apenas meia hora para o encerramento de mais uma noite no bar The Joy, localizado na Rua Maria Antônia, Vila Buarque, região central de São Paulo, quando seis ladrões invadiram o local. O bando agiu rapidamente, levando 1.020 reais do caixa da casa e carteiras, bolsas, relógios e telefones celulares dos cerca de 30 clientes que ocupavam as mesas. “Alguns pareciam adolescentes e pelo menos um estava armado”, relatou ao site de VEJA o advogado Daniel Medeiros, de 25 anos. “Meu medo era alguém reagir e acontecer algo mais grave ali. Foi rápido, mas foi tenso. Desde aquele dia, não saí mais de casa.”

Os endereços mudam a cada ação, o número de assaltantes também, mas o método de ataque e o tipo de estabelecimento escolhido se repetem numa frequência que não deixa dúvidas: os arrastões em bares e restaurantes são a nova moda entre os criminosos da maior cidade brasileira. E não deixarão de crescer, pelo menos enquanto a polícia continuar menosprezando esse crime – que classifica como modalidade de iniciantes.

Dos 26 casos registrados na capital desde o início do ano, oito aconteceram apenas nos primeiros 20 dias de junho – os dois últimos, pelo menos até o fechamento desta reportagem, com intervalo de uma hora entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta.

Amadores – A polícia vem tratando os casos como se fossem de menor importância. Olhando-se friamente os números, de fato, os arrastões parecem insignificantes. Apenas em abril, foram registrados 9.595 roubos, média de 319 por dia. Perto disso, os casos dos restaurantes parecem residuais. O problema é que eles afetam um dos espaços mais típicos de lazer do paulistano, o que aumenta sensação de insegurança da população em geral.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Antônio Ferreira Pinto, garante que os assaltos são praticados por quadrilhas com pouca organização e especialização, formadas, na sua maioria, por jovens. “Alguns deles chegaram a assaltar com armas de brinquedo”, disse ele, descartando qualquer ligação das ocorrências com o crime organizado.

Para combater a onda, a secretaria anunciou a criação de um programa de Vigilância Solidária, que será implantado a partir desta terça-feira no bairro de Itaim-Bibi, na zona oeste da capital paulista. Inspirado numa experiência britânica e já testado na cidade de Santo André, o plano envolve moradores e comerciantes do bairro que serão capacitados pela polícia para identificar situações de risco e tentar antecipar-se aos bandidos. “Se a população ficar alerta, o bandido perde sua principal vantagem que é o elemento surpresa”, avalia o presidente da Associação de Moradores do bairro, Marcelo Motta.

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