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Drogas | 19/09/2013 17:12

Ampliar rede de atendimento a usuários de crack é desafio

Ministro José Eduardo Cardozo defendeu que as punições sejam aplicadas aos traficantes e que os usuários recebam apoio do Estado

Thais Leitão, da

Marcelo Camargo/ABr

Usuário de crack é levado por membros da Missão Belém, instituição que promove a acolhida voluntária dos dependentes químicos nas ruas da cidade

Usuário de crack: "Os narcotraficantes, que integram organizações criminosas, devem ser investigados e punidos com máximo rigor", disse o ministro. "Temos que ampliar a rede com qualidade", acrescentou

Brasília - Ampliar e fortalecer a rede de atendimento e assistência aos usuários de crack no país é um dos principais desafios revelados pela pesquisa Perfil dos Usuários de Crack e/ou Similares no Brasil, divulgada hoje (19) pelo Ministério da Justiça.

Ao avaliar os dados, o ministro José Eduardo Cardozo enfatizou que 80% dos usuários de crack querem tratamento contra o uso da substância e que mais de 90% desejam receber apoio para conseguir emprego ou educação para reinserção social. Ele defendeu que as punições sejam aplicadas aos traficantes e que os usuários recebam apoio do Estado.

"Os narcotraficantes, que integram organizações criminosas, devem ser investigados e punidos com máximo rigor, porém usuários devem ser considerados como dependentes químicos e, portanto, passíveis de tratamento na área da saúde e no âmbito de políticas de reinserção social", disse o ministro. "Temos que ampliar a rede com qualidade", acrescentou.

Para Davi (nome fictício), que começou a usar a droga aos 14 anos, a motivação pessoal é a melhor arma para se livrar das drogas. Na tentativa de se afastar dos amigos que também faziam uso da substância, ele se mudou com a mãe para Brasília. Segundo Davi, se não houver uma forte decisão de abandonar o consumo o processo é muito mais difícil.

"Não adianta mudar de cidade, de bairro, se as coisas não mudarem dentro da gente. Justificativas sempre encontramos [para usar droga], mas, na verdade, começar o consumo foi uma decisão minha. Colegas me ofereceram e eu podia ter dito não", reconheceu o rapaz.

Na avaliação do ministro Cardozo, a existência de 370 mil usuários de crack, somente nas capitais e no Distrito Federal, entre os quais aproximadamente 50 mil crianças e adolescentes, indicam a gravidade do problema, que deve ser enfrentado pela integração de esforços entre as três esferas de governo. Ele acrescentou que o estudo confirma que o Programa Crack, é Possível Vencer, lançado em 2011 pelo governo federal, vem enfrentando a questão de forma acertada.

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