São Paulo – Autoridades, agentes de saúde e militares do Exército saem hoje (13) às ruas em uma grande ação de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

O recorde de casos de dengue no ano passado — mais de 1,6 milhão de casos — e a recente associação da zika com o aumento de casos de microcefalia no país ligaram o alerta vermelho do governo Dilma para uma mais eficaz atitude de prevenção.

Cerca de 220 mil soldados e 300 mil agentes foram designados para visitas a 3 milhões de domicílios em todos os estados da federação para instruir moradores e combater possíveis focos de reprodução do Aedes. Para terrenos vazios e imóveis abandonados, uma medida provisória garante a autorização judicial para entrada à força para limpeza e organização.

As “invasões” para pulverização de inseticidas, porém, só devem acontecer em novas ações marcadas para a partir da semana que vem, entre os dias 15 e 18 de fevereiro. Uma outra fase da operação contará com palestras em escolas públicas como método didático de prevenção.

Mas seria o bastante? Alguns números da operação sob análise mostram que a distribuição da ação pode estar distorcida em relação à urgência de cada localidade.

Como a distribuição dos agentes não foi divulgada pelo governo, EXAME.com considerou que deve estar em linha com a distribuição de militares. Os índices analisados levaram em conta apenas os números públicos.

Pernambuco poderia ser considerado o local em situação mais crítica em relação às doenças relacionadas ao Aedes. Líder em números absolutos de casos notificados de microcefalia, o estado é também o terceiro lugar no ranking do país em casos de dengue notificados em 2015, com 1.107,2 para cada 100 mil habitantes.

Na ação de hoje, será apenas o 9º estado a receber mais militares para o combate ao mosquito, com 9 mil oficiais — 97 para cada 100 mil habitantes, 12º em resultados proporcionais.

Está certo que o estado é apenas o 19º maior em área, o que justificaria o argumento de que seriam necessários menos militares para cobrir o terreno, mas o Rio de Janeiro é o 3º menor estado do país e receberá nada menos que 71 mil soldados.

Ambos terão o mesmo número de municípios visitados, com 30, mas a proporção de oficiais em ação é bem diferente: no Rio haverá 1.600 oficiais para cada 1 mil km², enquanto Pernambuco terá 91.

Com grande população, o Rio de Janeiro foi apenas o 16º estado com mais casos de dengue registrados no ano passado em proporção, com 417,10 para cada 100 mil habitantes. O líder da lista é Goiás, com 2.500,6 casos.

O líder no quesito dengue é o 15º em soldados por 100 mil habitantes e 17º em militar por área. O consolo é o desempenho mais modesto em casos de microcefalia: 69 ocorrências e 1,06 para cada 100 mil habitantes (16º no ranking proporcional do Brasil).

Além do Rio, outro exagero se vê no Distrito Federal, líder absoluto na ação de hoje. Com a menor área do país, o DF terá 18 mil soldados em ação, 4º maior em números absolutos e líder em proporção com 3.100 para cada 1 mil km² de área.

O DF teve apenas 15 casos notificados de microcefalia (18º no país) e apenas 337,90 casos de dengue para cada 100 mil habitantes (19º no ranking de 2015), segundo o Ministério da Saúde.

Entre os estados que foram bastante afetados pela dengue no ano passado, o Mato Grosso do Sul deve ter uma operação mais intensa: são 419,9 soldados por habitante (3º no ranking) e 30,8 deles por 1 mil km² (7ª posição), depois de registrar 1.068,4 casos de dengue para cada 100 mil habitantes em 2015 (4º lugar).

Veja abaixo os índices completos.

O QUE VOCÊ NÃO PODE DEIXAR DE LER PARA ENTENDER O SURTO

DENGUE

UF Casos de dengue por 100 mil hab. (2015)
Goiás 2500,6
São Paulo 1665,7
Pernambuco 1107,2
Mato Grosso do Sul 1068,4
Minas Gerais 913,4
Espírito Santo 893,1
Acre 736,5
Alagoas 718,7
Ceará 718,3
Rio Grande do Norte 660,2
Mato Grosso 627,2
Tocantins 594,4
Paraíba 552
Paraná 448,7
Amapá 421,8
Rio de Janeiro 417,1
Sergipe 381,2
Bahia 354
Distrito Federal 337,9
Piauí 238,5
Roraima 219,1
Rondônia 125,5
Maranhão 109,5
Pará 108,7
Amazonas 106,6
Santa Catarina 69,4
Rio Grande do Sul 16

MICROCEFALIA

UF Casos de notificados de microcefalia Casos de microcefalia por 100 mil hab. (jan2016)
Pernambuco 1447 15,60
Paraíba 750 19,02
Bahia 653 4,32
Ceará 251 2,84
Rio Grande do Norte 232 6,81
Rio de Janeiro 208 1,26
Alagoas 185 5,57
Sergipe 178 8,02
Mato Grosso 157 4,72
Maranhão 148 2,16
São Paulo 126 0,29
Piauí 103 3,22
Tocantins 101 6,75
Goiás 69 1,06
Minas Gerais 58 0,28
Espírito Santo 52 1,34
Acre 20 2,53
Distrito Federal 15 0,53
Paraná 10 0,09
Roraima 7 1,41
Pará 6 0,07
Mato Grosso do Sul 4 0,15
Santa Catarina 1 0,01
Rondônia 1 0,06
Rio Grande do Sul 1 0,01
Amazonas 0 0,00
Amapá 0 0,00

MILITARES EM AÇÃO

UF Militares por 100 mil hab.
Distrito Federal 631,05
Rio de Janeiro 431,32
Mato Grosso do Sul 419,90
Roraima 402,47
Amazonas 309,78
Acre 189,85
Rio Grande do Sul 160,61
Rio Grande do Norte 132,02
Pará 117,66
Rondônia 114,38
Amapá 106,54
Pernambuco 97,01
Mato Grosso 75,20
Piauí 56,34
Goiás 53,65
Minas Gerais 53,05
São Paulo 48,82
Bahia 39,67
Paraíba 38,03
Ceará 33,93
Tocantins 33,40
Paraná 33,39
Santa Catarina 29,73
Sergipe 27,03
Espírito Santo 23,17
Maranhão 21,89
Alagoas 21,07
UF Militares por 1 mil km²
Distrito Federal 3.114,19
Rio de Janeiro 1.621,82
Pernambuco 91,77
São Paulo 86,62
Rio Grande do Norte 85,21
Rio Grande do Sul 63,89
Mato Grosso do Sul 30,80
Sergipe 27,37
Paraíba 26,56
Alagoas 25,14
Santa Catarina 20,89
Ceará 20,15
Espírito Santo 19,52
Minas Gerais 18,75
Paraná 18,56
Bahia 10,62
Goiás 10,29
Acre 9,14
Roraima 8,92
Rondônia 8,42
Amazonas 7,70
Pará 7,61
Piauí 7,15
Amapá 5,60
Maranhão 4,52
Mato Grosso 2,77
Tocantins 1,80

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