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Congestionamento às 10h na Marginal Pinheiros, próximo a ponte da Cidade Universitária, em São Paulo. Este panorama pode mudar, mas não será fácil para ninguém
São Paulo - Hoje, o cidadão paulistano saiu para trabalhar e encontrou mais de 100 quilômetros de vias congestionadas, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A cifra soa absurda para motoristas de outras cidades, mas já é vista com certa naturalidade pelos paulistanos, embora dosada com variados graus de indignação. O recorde do ano foi de 295 quilômetros, às 19h da sexta-feira 1º de junho.
O resultado é o prejuízo calculado em 56 bilhões de reais para a economia da cidade neste ano, segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas.
São 7,3 milhões de veículos trafegando nos mais de 17 mil quilômetros de vias pavimentadas da cidade. As soluções são discutidas há décadas, mas como exigem vontade política aliada a mudança de hábito dos cidadãos, as transformações geralmente resumem-se a tímidas alterações cirúrgicas lá e cá.
Confira três soluções - dentre as várias existentes - indicadas por especialistas que poderiam mudar o cenário nas vias urbanas de São Paulo, com gasto relativamente pequeno se comparado a obras viárias faraônicas. Antes de causar algum sorriso, porém, elas causariam muita dor.
1 Pedágio urbano
Dói para quem: todos os motoristas de veículos particulares, especialmente os de menor renda
Resolve para quem: o governo, que arrecada
Se tem assunto que arrepia qualquer brasileiro é a criação de novas tarifas – ou o aumento das que já existem. A criação do pedágio urbano, porém, teria efeitos “imediatos” no trânsito da capital paulista, na avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST) e professor da Universidade de Brasília, David Duarte.
Os motoristas de plantão podem começar a se preocupar. Apesar de já ser discutido há mais de duas décadas, o pedágio urbano ganha contornos cada vez mais reais. Projeto do deputado estadual Carlos Apolinário (DEM) passou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal no dia 25 de abril, mas ainda tem que passar por outras comissões antes de seguir para o plenário.
O deputado Apolinário prevê que a cobrança de 4 reais para acessar a área do chamado centro expandido durante a semana traria uma redução de 30% na quantidade de veículos nas ruas, mas para o consultor em engenharia de tráfegos e transporte Horácio Figueira, este valor teria que ser maior para obter esse efeito.
Na avaliação dele, as pessoas pagariam os 88 reais por mês atraídas pela ideia de ter a rua só para elas. “Mesmo que você tenha redução, você não vai nem perceber”, acredita o especialista. Em Londres, onde a prática começou em 2003, o valor atual cobrado é de 10 libras.
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