Mulher cria grupo de corrida depois de assassinato do filho

"Eu descobri que quem tinha assassinado meu filho foi uma criança de 14 anos. Pouco tempo depois, eu resolvi que ia cuidar dessas crianças" conta a atleta

A brasileira Neide Santos é o que podemos chamar de pessoa persistente e vitoriosa.

Quem a vê, atlética, sorridente e cheia de motivação em sua rotina que começa todo dia às 4h30, não imagina as grandes dificuldades por quais passou.

Aos seis anos, nordestina, ela foi entregue à adoção pela família. Foi também a idade com que foi abusada sexualmente, quando vinha para São Paulo.

Anos depois, casada e com três filhos, perdeu o marido, assassinado pela Polícia Militar.

E mesmo com toda essa trajetória trágica, ela se tornou atleta e criou o projeto Vida Corrida, que leva centenas de mulheres e crianças a praticarem corrida no Capão Redondo, zona sul de São Paulo.

Essa história de superação foi documentada pela BBC Brasil e compõe a série Heroes, que integra a cobertura olímpica que o site/emissora está produzindo para o Brasil e para o mundo.

A série apresenta personagens que transformaram suas vidas por meio do esporte e usaram essa prática para ajudar pessoas carentes.

O Capão Redondo é considerado o bairro mais violento de São Paulo, com 70 assassinatos cometidos de janeiro a dezembro de 2015, de acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).

Mark, um dos filhos de Neide, foi quem sugeriu que a mãe usasse o atletismo como inspiração para os moradores.

“Mãe, atende as crianças da comunidade, ocupa esse tempo ocioso porque elas não têm pra onde ir saindo da escola.”

(Reprodução/BBC)

Neide argumentou não tinha tempo. Mas no ano seguinte, um de seus filhos foi morto em um assalto no Capão.

“Eu descobri que quem tinha assassinado meu filho foi uma criança de 14 anos. Pouco tempo depois, eu resolvi: ‘Vou cuidar dessas crianças’.


O vídeo é emocionante: