MPF pede condenação e prisão de mulher de Eduardo Cunha

Se condenada, Cláudia Cruz terá que devolver 7 milhões de reais aos cofres públicos. Dinheiro teria sido gasto com compras de luxo, veja lista

São Paulo – Os procuradores da Operação Lava Jato pediram nesta terça-feira (18) a condenação da jornalista Cláudia Cruz, esposa do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) pelos crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro nacional.

Se condenada, de acordo com o MPF, Cláudia terá que devolver 2,3 milhões de dólares (ou o equivalente a 7 milhões de reais) para os cofres públicos. Além disso, os procuradores defendem a pena de 3 a 10 anos de regime fechado para a jornalista.

“Quanto à Claudia Cruz seja fixado no montante mantido por ela no exterior não declarados às autoridades brasileiras, consistente em US$  1.061.650,00, bem como os valores envolvidos nos crimes de lavagem, recebidos das contas de Eduardo Cunha (TRIUMPH SP: US$ 1.050.000,00, NETHERTON: US$ 165.000,00) e ORION SP: US$ 60.000,00”, afirma o texto das alegações finais da Procuradoria.

Das acusações

Cláudia Cruz é acusada de manter recursos não declarados no exterior. Durante o processo, ela negou que tivesse conhecimento das movimentações fora do país. Os procuradores não concordam com esse argumento:

“Cláudia Cruz não foi simples usuária dos valores, mas coautora de Eduardo Cunha em lavar os ativos mediante a manutenção de conta oculta com os valores espúrios, cuja abertura foi assinada por ela, bem como por converter os ativos criminosos em de bens e serviços de altíssimo padrão”, afirma o texto.

O MPF ainda exemplifica as despesas pagas por meio da conta que Cláudia mantinha na Suíça. Estas seriam as compras feitas pela mulher de Cunha:

1) USD 7.707,37 na loja da Chanel em Paris (09.01.2014);
2) USD 2.646,05 na loja da Christian Dior (11.01.2014);
3) USD 4.184,94 na Loja Charvet Place Vendôme em Paris (11.01.2014);
4) USD 2.945,48 na loja de roupas Balenciaga (11.01.2014), também em Paris;
5) USD 4.497,93 na Loja da Prada, em Roma (02.03.2014);
6) USD 3.536,39 na loja Louis Vuitton em Lisboa (08.03.2014);
7) USD 3.799,03 na Chanel em Dubai (12.04.2014);
8) USD 1.482,11 na Louis Vitton em Paris (15.02.2015);
9) USD 2.879,51 na Chanel em Paris (16.02.2015);
10) USD 6.537,77 na Charvet Place Vendôme em Paris (16.02.2015);
11) USD 1.676,65 na loja Hermès (16.02.2015);
12) USD 960,58 na loja de roupas Balenciaga (16.02.2015);
13) USD 1.178,11 na loja Chanel, em Paris (18.02.2015).

E estas as compras feitas por Daniele Ditz da Cunha, filha do primeiro casamento do ex-presidente da Câmara, com o cartão de crédito da madrasta:

1) USD 1.000,00 na loja de sapatos Christian Louboutin (em 27.12.2012);
2) USD 1.685,40, na Prada (02.01.2013);
3) USD 2.090,22 na Burberry (02.01.2012);
4) USD 1.526,67 na Ermenegildo Zegna (02.01.2013);
5) USD 1.246,54 na Alexander Macqueen (22.01.2013);
6) USD 1.267,09 na mesma loja (Alexander Macqueen), em 24.01.2013;
7) USD 1.774,77 (em 19.02.2013) na loja de roupas feminina Santa Eulalia, em
Barcelona;
8) USD 2.398,47 (02.03.2013) também na loja de roupas feminina Santa
Eulalia, em Barcelona;
9) USD 1.506,64 na loja Yves Saint Laurent em Barcelona (13.03.2013);
10) USD 2.666,51 na Burberry em Barcelona (16.03.2013);
11) USD 2.939,63 na Chanel em Nova Iorque (21.07.2013);
12) USD 5.243,00 na Chanel nos EUA (30.01.2014);
13) USD 1.853,07 na Bloomingdale’s em Orlando (18.04.2014);
14) USD 2.759,43 na loja Neiman Marcus, em Orlando (18.04.2014)
15) USD 5.000,00 na loja Neiman Marcus, em Orlando (18.04.2014);
16) USD 2.659,30 na Hermès em Cannes e;
17) USD 4.627,19 na loja Fendi em Nova Iorque.

Outros acusados

Além de Cláudia Cruz, o MPF também pede a condenação de Jorge Zelada, João Henriques e Idalécio Oliveira. Segundo os procuradores, se condenados, eles terão que devolver  77,5 milhões de dólares aos cofres públicos, além de cumprir pena em regime fechado. 

O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, deve dar sua sentença sobre o caso nas próximas semanas. Vale lembrar que o eventual cumprimento das penas, contudo, pode não ser automático —  visto que cabe recurso da decisão.

Veja também