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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Metrô de SP tem recorde de assédios contra mulheres em 2015

Dados são da agência Fiquem Sabendo, que tomou por base os números obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação

São Paulo – Com um caso de assédio registrado a cada três dias, o ano de 2015 foi recorde quando o assunto é o abuso sexual no metrô de São Paulo.

É o que mostram os dados compilados pela agência de dados públicos Fiquem Sabendo, tomando por base os números oficiais obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

Entre 2014 e 2015 houve um crescimento de 28% de casos de abuso sexual registrados pela Polícia Civil – de 96 para 123 ocorrências – e o maior número em cinco anos (entre 2011 e 2013 o total de ocorrências variou entre 60 e 66), conforme mostram os dados da Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), responsável pelo registro e investigação dos crimes ocorridos no sistema de transporte sobre trilhos em São Paulo.

Tanto e polícia quanto a direção do metrô atribuem a alta dos números à campanha de conscientização que vem sendo feita pela companhia há dois anos, o que estaria incentivando um aumento das denúncias com relação à ‘importunação ofensiva ao pudor’, tipificação mais comum para casos de abuso sexual no transporte público, como passar a mão ou se esfregar na vítima – infração que não costuma render prisão.

“Trata-se de uma resposta superpositiva à campanha. (123 ocorrências em um ano) Não é um número que corresponde à realidade dos casos de abuso sexual no transporte público, mas, sem dúvida, está mais próximo dessa realidade”, disse à agência a jornalista Nana Soares, especializada em temática de gênero e participante dessa campanha de conscientização.

A prisão em casos de abuso sexual só se dá quando é comprovado o estupro, considerado crime hediondo no Brasil e cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão – três vezes mais alta do que aquela para ‘ato libidinoso’.

De acordo com os dados oficiais, um estupro foi registrado a cada 155 dias no metrô paulistano. Entre janeiro de 2011 e agosto de 2015 foram 11 casos de estupro registrados.

Denunciar é fundamental

Segundo dados do 9º Anuário Brasileiro do Fórum de Segurança Pública, apenas em 2014 foram registrados 47.643 casos de estupro no Brasil – uma média de um caso a cada 11 minutos.

O estudo afirma ainda que apenas 35% das vítimas denunciam o crime. Já a pesquisa Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde, feita pelo Ipea, aponta que 527 mil mulheres são estupradas por ano no País, com apenas 10% dos casos chegando à polícia.

O levantamento do Ipea aponta ainda que “89% das vítimas são do sexo feminino e possuem, em geral, baixa escolaridade” e “do total, 70% são crianças e adolescentes”.

Com números tão alarmantes, é preciso denunciar. É o que prega a direção do Metrô que, em nota, informou que “o abuso sexual é um crime que deve ser combatido dentro e fora do transporte público” e que “o Metrô realiza constantemente campanhas de conscientização e treinamentos para que os funcionários estejam preparados para coibir este tipo de crime e amparar as vítimas”.

“Ao longo de 2015, as campanhas incentivando as denúncias e registro das ocorrências foram intensificadas com cartazes nas estações e nos trens, distribuição de panfletos e veiculação de mensagens nos monitores dos trens e nos perfis oficiais da companhia nas redes sociais (…). A cooperação dos usuários, por meio de denúncias, é fundamental para combater a ação dos assediadores. É importante que as vítimas informem o fato imediatamente a um funcionário do Metrô, apontando ou descrevendo as características e roupas do autor do crime para que o mesmo seja localizado e detido. Os passageiros também podem colaborar por meio do serviço SMS-Denúncia do Metrô (97333-2252), que garante total anonimato ao denunciante. A mensagem é recebida no Centro de Controle de Segurança, que destaca os agentes mais próximos para verificação imediata e providências”.

Já a Secretaria de Segurança Pública destacou por meio da sua assessoria de imprensa que agentes infiltrados e o monitoramento por câmeras estão sendo utilizados contra o assédio e que quatro suspeitos de estupro cometidos no metrô e na CPTM foram presos em 2015.

Além disso, a pasta destacou que “a falta de registros oficiais é frequente nestes casos e por isso a Polícia Civil está investindo neste trabalho e estimulando as vítimas a denunciar”.

Quem são os ‘encoxadores’

Dados da Delpom divulgados há dois anos traçaram o perfil dos encoxadores do transporte público nos trens da capital paulista.

Os agressores são homens, com média de 32 anos e 11 meses de idade, e que preferem atacar pela manhã. As linhas mais visadas pelos criminosos são a Linha 3-Vermelha do Metrô e as linhas 7-Rubi e 11-Coral da CPTM.

“Em muitos casos, o criminoso começa a ‘encoxar’ a vítima no começo da linha e só para quando ela desce do trem”, disse o delegado Cícero Simão da Costa, da Delpom.

Tal constatação comprova a predisposição dos agressores em agir durante os horários de pico, em que há superlotação de trens e estações.

Já as vítimas têm uma idade média de 28 anos e 7 meses, segundo a Delpom.