Medição da velocidade do voo Rio-Paris estava errada

Segundo investigadores franceses, o erro fez com que o piloto automático desligasse quatro minutos antes da queda

Paris – A medição da velocidade do avião da Air France que fazia o trajeto Rio de Janeiro-Paris em 1º de junho de 2009 estava incorreta, o que desligou o piloto automático quatro minutos antes de a aeronave cair no Oceano Atlântico, informaram nesta sexta-feira os responsáveis pela investigação da tragédia.

No momento do acidente, o comandante do avião estava descansando, mas dirigiu-se à cabine 1h30 depois de ser alertado por um dos copilotos, detalhou o comunicado do Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês), encarregado do caso.

A leitura dos dados das caixas-pretas aponta para uma “incoerência” nos dados enviados pelos diferentes instrumentos de medição como causa do desastre, enquanto os motores do avião funcionavam e respondiam às ordens dos pilotos.

O relatório também indica que minutos antes do acidente os membros da tripulação advertiram para a entrada em uma zona de turbulência, da qual tentaram se esquivar dirigindo-se à esquerda.

Durante a manobra, a turbulência na aeronave aumentou e a tripulação decidiu reduzir um pouco a velocidade.

Dois minutos depois, ocorreu o problema com a medição da velocidade que fez com que o piloto automático fosse desligado e o copiloto tomou então o comando da aeronave.

Por três minutos, o avião ficou em queda livre, mas os dados registrados na cabine não apontavam a situação.

O comandante retornou ao posto de controle e durante três minutos tentou deter a queda.

“Não temos nenhuma indicação válida”, diz o piloto pouco antes de assumir o comando da aeronave.

Quatro minutos e 23 segundos depois do incidente, as caixas-pretas deixam de conter dados, o que é interpretado como o momento da colisão.

Trata-se das primeiras conclusões da leitura das caixas-pretas do avião, resgatadas do fundo do mar no início do mês.

Em seu último relatório divulgado antes do acesso aos dados das caixas-pretas, o BEA havia apontado para um erro nas sondas de medição da velocidade como causa do acidente.

Essas sondas, fabricadas pelo grupo francês Thales, já haviam gerado problemas em outros voos por conta do gelo, que as impedia de medir a velocidade de forma correta.